Lula fala em “paz na América Latina”, mas foge de citar Venezuela e ataques dos EUA

Lula fala em “paz na América Latina”, mas foge de citar Venezuela e ataques dos EUA

Na cúpula da Celac, presidente brasileiro defende diálogo e integração, mas evita nomes e temas espinhosos, preferindo um discurso genérico sobre democracia e harmonia regional.

Em mais uma de suas falas diplomáticas de conveniência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste domingo (9) da cúpula da Celac-União Europeia, na Colômbia, dizendo que a América Latina é uma “região de paz” — mas sem mencionar diretamente a Venezuela, nem os ataques dos Estados Unidos a barcos no Caribe e no Pacífico, que ele próprio havia cobrado discutir dias antes.

Com tom sereno e palavras cuidadosas, Lula afirmou que “democracias não combatem o crime violando o direito internacional” e criticou “projetos pessoais de poder” que ameaçam as instituições — novamente, sem citar nomes. O discurso, cheio de boas intenções e poucos enfrentamentos, contrastou com o que havia prometido antes de embarcar: uma defesa firme da soberania latino-americana diante da ofensiva militar americana.

Ao chamar a América Latina de “região balcanizada e dividida”, Lula cobrou mais integração entre os países e pediu avanço nas negociações entre Mercosul e União Europeia. No entanto, sua fala passou longe de uma condenação direta às ações de Donald Trump ou do governo americano, que já matou mais de 60 pessoas em ataques a embarcações suspeitas de tráfico.

O presidente, que deixou Belém — onde participa da COP30 — para comparecer à reunião na Colômbia, retornou ao Brasil após o primeiro dia do encontro, levando consigo um discurso diplomático e um silêncio eloquente sobre os temas mais sensíveis.

Mais uma vez, Lula se apresenta como o mediador da paz, mas escolhe o caminho mais confortável: o das frases amplas, das condenações genéricas e da prudência calculada. No palco internacional, ele fala em “diálogo e democracia” — mas, quando o assunto é a Venezuela ou os Estados Unidos, o silêncio fala mais alto que as palavras.

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