Cúpula esvaziada: Lula organiza encontro do Brics, mas líderes fogem do Rio

Cúpula esvaziada: Lula organiza encontro do Brics, mas líderes fogem do Rio

Presidente do Egito cancela presença; Putin, Xi Jinping e Irã também devem ficar de fora da reunião que prometia prestígio internacional

A poucos dias da Cúpula do Brics, que será realizada no Rio de Janeiro entre os dias 6 e 7 de julho, o presidente Lula amarga um esvaziamento diplomático que ninguém no Itamaraty gostaria de admitir. A mais nova baixa é a do presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sissi, que, mesmo tendo sido convidado diretamente por Lula, optou por não comparecer ao evento. No lugar dele, quem virá é o primeiro-ministro egípcio, Mostafa Madbouly.

A justificativa oficial? A tal “situação regional” — eufemismo diplomático para a crescente tensão no Oriente Médio, especialmente com os confrontos entre Israel e Irã. Mas, no fundo, o que se vê é um cenário que destoa da expectativa de prestígio que o governo brasileiro tentou construir para a cúpula.

Além de al-Sissi, outros dois nomes de peso já haviam sinalizado ausência: Vladimir Putin, presidente da Rússia, e Xi Jinping, da China. O presidente do Irã, Masud Pezeshkian, também deve entrar para a lista de faltosos.

O Itamaraty ainda tenta salvar as aparências com agendas paralelas, como uma possível visita do presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, a Brasília. Subianto, aliás, virou alvo de críticas de brasileiros nas redes sociais após a morte trágica da turista Juliana Marins no Monte Rinjani — o caso rendeu uma avalanche de mensagens exigindo respostas do governo indonésio.

Há ainda a expectativa de um encontro com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, mas sem confirmação até agora.

Na prática, o encontro que prometia reposicionar o Brasil como protagonista internacional começa a se parecer mais com um clube de ausências ilustres — uma espécie de “Brics do vácuo”, em que os convidados, ao invés de aterrissar, optam por sobrevoar de longe.

A agenda internacional de Lula, que apostava no simbolismo da Cúpula como vitrine para sua diplomacia, parece agora tentar salvar o que for possível de um evento que, ironicamente, pode se tornar lembrado mais pelas ausências do que pelos encontros.

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