
Idosa condenada pelos atos de 8 de janeiro é levada para presídio após quase mil violações no uso da tornozeleira
Aos 73 anos, Iraci Nagoshi teve a prisão domiciliar revogada por Moraes; defesa denuncia condições precárias na cela e risco à saúde.
A história de Iraci Megume Nagoshi, de 73 anos, ganhou mais um capítulo tenso. Condenada a 14 anos de prisão por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, ela foi transferida para a Penitenciária Feminina de Sant’Anna, em São Paulo, depois de acumular nada menos que 983 violações no uso da tornozeleira eletrônica.
A decisão de tirá-la da prisão domiciliar foi do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em 16 de julho. O histórico de descumprimento incluía desde ausência de sinal de GPS até bateria descarregada e saídas não autorizadas — muitas sem qualquer comunicação ao Supremo. Iraci deu entrada no presídio na última segunda-feira (28).
Segundo o advogado Jaysson França, a cliente enfrenta sérios problemas de saúde e está em uma cela com mais cinco presas, dormindo no chão, sem acesso adequado à higiene ou tratamento médico. Para ele, as condições colocam em risco a dignidade e a própria vida da idosa.
A defesa afirma que parte das saídas não autorizadas foi para compromissos médicos, como fisioterapia, pilates e hidroginástica, mas admite que muitos deslocamentos não tiveram aval prévio.
A Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo não se manifestou até o momento sobre a situação da presa.