
Impeachment de Alexandre de Moraes ganha força com 41 assinaturas no Senado, mas ainda enfrenta resistência
Pedido impulsionado pela prisão domiciliar de Bolsonaro depende da decisão do presidente do Senado para avançar; Alcolumbre não indica intenção de pautar o processo
Na quinta-feira (7), a oposição no Senado conseguiu reunir 41 assinaturas para apresentar o pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Esse número representa a maioria simples dos senadores e é suficiente para que o processo comece a tramitar na Casa, caso seja pautado. No entanto, para que o afastamento do ministro seja aprovado, são necessários pelo menos 54 votos — ou seja, dois terços do plenário.
O apoio mais recente veio do senador Laércio Oliveira (PP-SE), consolidando a mobilização da base bolsonarista, que se uniu especialmente após Moraes ter decretado a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, no começo da semana. Com isso, a oposição decidiu encerrar a obstrução no Senado e liberar a Mesa Diretora, focando agora suas pressões sobre o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), responsável por decidir se o pedido será pautado. Até o momento, Alcolumbre não deu sinais de que colocará o tema em votação.
Em entrevista, o líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), declarou que o grupo pretende participar ativamente dos debates sobre pautas que considera importantes para o país, além das divergências ideológicas. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou o momento de “histórico” e reforçou críticas a Moraes, afirmando que o ministro precisa respeitar seus limites. Flávio também destacou a firmeza do pai diante das dificuldades, mostrando-se fortalecido pela situação.
Apesar da mobilização, o processo depende exclusivamente da vontade do presidente do Senado. Alcolumbre, em reunião com líderes partidários, afirmou que não vai ceder a pressões externas para pautar pedidos de impeachment contra ministros do STF, deixando claro que a decisão é uma prerrogativa exclusiva da presidência do Senado.
Até agora, 19 senadores já se posicionaram contra o impeachment, enquanto 21 ainda não definiram seu voto. Nunca na história do Senado um pedido de afastamento de ministro do STF foi aprovado.
Além da prisão domiciliar de Bolsonaro, que serviu como estopim para unir a oposição, o pedido ganhou ainda mais força depois que Alexandre de Moraes foi alvo de sanções dos Estados Unidos, que bloquearam suas transações financeiras no país via Lei Magnitsky. Essas medidas reacenderam os questionamentos sobre a atuação do ministro, principalmente nos inquéritos ligados ao ex-presidente, como o que investiga uma suposta tentativa de golpe e os atos de 8 de janeiro.
A tensão política segue crescendo no Congresso Nacional, com debates acalorados e pressão da oposição para que o impeachment avance.