
Invasão ao Itaú em SP expõe silêncio conveniente e laços com o poder
Sem prisões ou consequências, ação de militantes na sede do banco escancara o jogo de interesses entre herdeiros da elite financeira e o governo petista
A ocupação da sede do Itaú BBA, no coração da Faria Lima, por militantes do MTST e do movimento Povo Sem Medo, passou praticamente em branco para as autoridades. Nenhuma prisão, nenhum confronto, nenhuma consequência. A Secretaria de Segurança de São Paulo classificou o episódio como se fosse um passeio no parque: “sem intercorrências”.
Apesar da invasão ser um ato claro de afronta ao patrimônio privado, a reação do poder público foi de uma complacência que chama atenção — especialmente quando o alvo é um banco que tem fortes vínculos com a esquerda no poder. O Itaú é conhecido por manter relações amigáveis com o governo petista, especialmente por meio de seus herdeiros, que figuram entre os principais financiadores da campanha de Lula em 2022.
Entre eles, Beatriz Bracher, irmã de um dos membros do Conselho Administrativo do Itaú, foi a segunda maior doadora individual da campanha de Lula no segundo turno. Já Neca Setúbal, herdeira do banco, organizou eventos em apoio ao ex-presidente, reunindo nomes da elite paulista, como Teresa Bracher, esposa de um ex-presidente do Itaú.
Antes mesmo da vitória nas urnas, o então candidato Lula já se reunia com Pedro Moreira Salles, copresidente do banco, em jantares discretos na capital paulista. O mesmo Pedro é filho de Walter Moreira Salles, que dedicou seu documentário “Ainda Estou Aqui” ao retorno de Lula ao poder, numa clara declaração de simpatia política.
Enquanto isso, o ataque à sede do banco segue sem responsabilização. Para muitos, soa como uma encenação entre aliados que já se conhecem há tempos — uma espécie de “jogo de comadres”, onde a indignação é seletiva e as regras mudam conforme o lado que está no comando.
No fim das contas, a ação que poderia render manchetes e prisões se transforma em mais um capítulo do roteiro em que militância, capital e poder caminham lado a lado, num silêncio que diz muito mais do que as palavras.