Israel anuncia morte de comandante do Hamas ligado à captura de reféns em Gaza

Israel anuncia morte de comandante do Hamas ligado à captura de reféns em Gaza

Muhammad Hamad Muhammad Gabain, integrante da ala militar do Hamas, foi apontado pelas Forças de Defesa de Israel como responsável pela manutenção de nove reféns; outro homem ligado ao sequestro de Noa Argamani também foi morto

As Forças de Defesa de Israel (FDI) anunciaram a morte de dois integrantes ligados ao Hamas e a grupos jihadistas que, segundo as autoridades israelenses, participaram dos ataques de 7 de outubro de 2023 e da captura de reféns levados para a Faixa de Gaza.

Um dos principais alvos foi Muhammad Hamad Muhammad Gabain, identificado pelas FDI como comandante da ala militar do Hamas. Segundo Israel, ele participou da manutenção em cativeiro de nove reféns israelenses: Ziv Berman, Gali Berman, Eitan Mor, Liri Albag, Agam Berger, Matan Angrest, Omri Miran, Keith Siegel e Alon Ohel. Todos foram posteriormente libertados.

O anúncio israelense afirma ainda que Gabain teria retomado atividades militares durante o período de cessar-fogo, participando de ações contra soldados e civis israelenses e de esforços para reconstruir capacidades do Hamas. As FDI disseram que ele foi morto para eliminar uma ameaça que, segundo sua avaliação, continuava ativa.

Outro nome ligado ao sequestro de Noa Argamani

Na mesma operação anunciada por Israel aparece Saher Nidal Latfi Sakr, descrito pelas FDI como integrante ligado a organizações jihadistas globais.

Segundo o Exército israelense, Sakr participou da invasão de Israel em 7 de outubro de 2023 e conduziu a motocicleta utilizada para levar Noa Argamani e Avinatan Or do festival de música Nova para Gaza.

Argamani foi posteriormente resgatada por forças israelenses em junho de 2024, enquanto Avinatan Or foi libertado em outubro de 2025, segundo os relatos publicados sobre o caso.

Israel também afirma que Sakr fornecia armas ao Hamas e participou de ataques posteriores contra israelenses. Essas informações são atribuições das autoridades israelenses e não equivalem, por si só, a uma decisão judicial independente sobre cada acusação.

O peso simbólico da operação

A morte de Gabain possui um significado particularmente importante para Israel porque seu nome foi associado diretamente à estrutura que manteve pessoas sequestradas durante a guerra.

O caso dos reféns se tornou um dos elementos centrais do conflito iniciado depois do ataque de 7 de outubro de 2023, quando integrantes liderados pelo Hamas invadiram Israel, mataram cerca de 1.200 pessoas e sequestraram 251, segundo os números citados pelo UOL.

Por isso, para as autoridades israelenses, localizar e eliminar integrantes diretamente envolvidos na captura ou manutenção dos reféns representa também uma ação de responsabilização e de redução da capacidade operacional do Hamas.

Israel mantém pressão sobre o Hamas

O anúncio ocorre mesmo durante o cessar-fogo iniciado em outubro de 2025. Israel afirma que operações posteriores foram realizadas diante de ameaças ou de ações atribuídas ao Hamas.

A morte de Gabain foi apresentada pelas FDI justamente nesse contexto: segundo o Exército israelense, o comandante estaria envolvido na tentativa de reconstruir as capacidades do Hamas e em ataques contra tropas e civis, o que Israel considera uma violação sistemática do cessar-fogo.

O conflito, entretanto, continua marcado por elevado número de vítimas palestinas. Dados do Ministério da Saúde de Gaza, órgão ligado ao governo do Hamas, apontavam mais de 1.100 mortos desde o início da trégua. Esses números não fazem, em geral, distinção entre combatentes e civis.

O mérito atribuído às forças israelenses

Dentro da perspectiva apresentada pelo governo israelense, a operação demonstra a capacidade das Forças de Defesa de Israel e do Shin Bet de localizar integrantes do Hamas mesmo depois de anos de guerra e de identificar pessoas associadas diretamente à captura de reféns.

O caso de Gabain é particularmente significativo: segundo Israel, ele esteve envolvido na manutenção de nove pessoas em cativeiro. Já Sakr foi apontado como o homem que conduziu o veículo utilizado no sequestro de Noa Argamani e Avinatan Or.

Para Israel, eliminar integrantes envolvidos em sequestros e em novas operações militares contra israelenses faz parte da estratégia de impedir que o Hamas recupere sua capacidade operacional.

A operação, portanto, recoloca no centro da guerra uma questão fundamental: os responsáveis pela captura e manutenção de reféns continuam sendo perseguidos pelas forças israelenses mesmo após a libertação das vítimas.

A morte de Muhammad Hamad Muhammad Gabain e Saher Nidal Latfi Sakr foi anunciada por Israel como mais um golpe contra estruturas envolvidas nos ataques de 7 de outubro e no sequestro de civis. O episódio também evidencia que, apesar do cessar-fogo, a disputa militar e política em torno do Hamas e da segurança de Israel permanece longe de estar encerrada.

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