
Itamaraty reage e condena fala da Casa Branca sobre uso de força militar no Brasil
Declaração de porta-voz de Trump, citando até ação militar em defesa de Bolsonaro, provocou repúdio do governo brasileiro e críticas de Gleisi Hoffmann.
O governo brasileiro subiu o tom contra Washington. Em nota oficial, divulgada nesta terça-feira (9), o Itamaraty condenou “qualquer ameaça de uso da força ou de sanções” contra a democracia do país. O recado veio após a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmar que o presidente Donald Trump “não tem medo de usar meios militares” para proteger a liberdade de expressão — declaração feita justamente quando foi questionada sobre o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.
Para o Ministério das Relações Exteriores, defender a democracia significa respeitar as urnas e a independência dos três Poderes, que “não se intimidarão diante de tentativas de coação estrangeira”. A nota ainda classificou como inaceitável que governos de fora sejam usados para pressionar instituições nacionais.
Mais cedo, a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) também reagiu. Ela chamou a fala de Leavitt de “inadmissível” e acusou a família Bolsonaro de conspirar contra o país ao se apoiar em Trump: “Não bastaram as tarifas, nem as sanções ilegais contra ministros do governo e suas famílias. Agora falam em invasão militar para livrar Bolsonaro da cadeia. Isso é o cúmulo”.
A porta-voz da Casa Branca, no entanto, tentou relativizar: disse que não há novas ações contra o Brasil por ora. Mesmo assim, a menção a “meios militares” incendiou Brasília num momento em que Bolsonaro e aliados aguardam sentença no STF, com penas que podem chegar a 43 anos de prisão.