
Janja defende Belém — direto do iate de luxo
Primeira-dama chama crítica de chanceler alemão de “infeliz”, enquanto posa para fotos na cobiça vista do convés
Janja Lula da Silva saiu em defesa da COP30 e classificou como “infeliz” a declaração do chanceler alemão Friedrich Merz, que disse que sua comitiva ficou “contenta” por deixar Belém e voltar a Berlim. Em entrevista à CNN, a primeira-dama acusou Merz de não ter “vivido a COP”: segundo ela, o chanceler teria passado o tempo em salas refrigeradas e perdido o contato com a cultura local — sem provar um tacacá, sem ouvir carimbó, sem experimentar o que chama de “experiência amazônica”.
A defesa calorosa soaria até doce, não fosse o detalhe que transforma tudo em piada amarga: enquanto falava em “vivenciar o território”, Janja e o presidente circulavam pela COP como convidados VIP — inclusive com passeios a bordo de iate de luxo que renderam fotos e manchetes. Eis a contradição: pregar aproximação popular da Amazônia enquanto se admira a paisagem a partir do conforto de um convés privativo.
Com ironia e um pouco de escárnio, dá para resumir: Janja acusa Merz de não ter provado tacacá — e esquece que ela mesma presenciou a COP sobretudo pela janela do turismo de luxo. Defender a escolha de Belém é legítimo; posar para fotos em iate e vestir o figurino do “conhecedor do povo” soa, no mínimo, oportunista. Se a intenção era mostrar a Amazônia, que se comece por subir do convés e descer à rua.
No fim das contas, a fala de Merz pode ter sido dura, desajeitada ou mal colocada — mas a crítica que precisa ser feita aqui é outra: se você quer ensinar o mundo sobre a Amazônia, não a mostre como cenário de cartão-postal exclusivo. Mostre-a de perto, sem ar-condicionado e sem camarote. Enquanto isso não acontece, o espetáculo segue: palavra bonita, barco caro, e o povo fica olhando.