
Janja descobre a Amazônia… do convés de um iate de luxo
Primeira-dama rebate chanceler alemão, fala em tacacá e carimbó — mas esquece que ela e Lula “viveram a COP” navegando em alto estilo
A primeira-dama Janja da Silva voltou aos microfones nesta terça-feira (18) para chamar de “infeliz” a crítica feita pelo chanceler alemão Friedrich Merz sobre a COP30 em Belém. Segundo ela, o líder europeu não “viveu a experiência amazônica”. Irônico, vindo de quem acompanhou o evento a bordo de um iate de milhões, longe de filas, calor e qualquer aproximação real com o cotidiano paraense.
Em entrevista à CNN, Janja disse que Merz teria passado a conferência inteira dentro de salas com ar-condicionado, sem “sentir” a cidade. E completou:
— Ele não deve ter tomado tacacá, não deve ter visto carimbó, não deve ter visto uma aparelhagem.
De fato, o chanceler alemão não fez nada disso. Mas também não apareceu desfilando em embarcações de luxo bancadas por aliados, enquanto Belém virava notícia mundial por falta de estrutura, caos logístico e denúncias de improviso — tudo isso em pleno evento que deveria mostrar o “Brasil real” ao mundo.
O discurso cultural… e a prática náutica
Janja insistiu que Belém foi escolhida justamente para aproximar líderes globais da Amazônia. Mas, curiosamente, quem mais se aproximou do rio — e bem de perto — foram ela e Lula, fotografados aproveitando o visual amazônico do jeito mais exclusivo possível: num passeio de iate que virou piada, meme e manchete internacional.
Enquanto isso, Merz afirmou que ninguém de sua comitiva quis ficar na cidade e que jornalistas estavam aliviados por voltar à Alemanha. Uma fala dura, sim — mas que dialoga com inúmeros relatos de participantes que deixaram Belém decepcionados com a infraestrutura da COP.
Para Janja, no entanto, a crítica não passou de um comentário “mal colocado”. Segundo ela, o chanceler deveria ter conhecido as atrações locais antes de opinar. Talvez ela pudesse ter oferecido a ele um espacinho no iate, já que ali, aparentemente, estava a melhor vista da Amazônia.
Relações internacionais… e realidades paralelas
Apesar das farpas, a primeira-dama ressaltou que a Alemanha segue sendo um parceiro fundamental, especialmente no financiamento do Fundo Amazônia.
E assim ficou o discurso: de um lado, a defesa apaixonada de uma cultura que a própria comitiva presidencial observou pela janela do luxo; de outro, um país europeu dizendo que a experiência na COP foi tão ruim que ninguém quis ficar.
A conclusão? A Amazônia é maravilhosa — ninguém discorda. A ironia está em quem tenta ensiná-la ao mundo enquanto navega por ela como turista VIP.