
JANONES SAI EM DEFESA DE LULA APÓS PRESIDENTE CHAMAR FLÁVIO BOLSONARO DE “MALANDRO CARIOCA” DURANTE DEBATE DA BAND
Subtítulo: Deputado minimiza declaração de Luiz Inácio Lula da Silva, afirma que a expressão representa esperteza e jogo de cintura e descarta prejuízos eleitorais ao petista; episódio provoca críticas e reacende discussão sobre respeito aos cariocas e responsabilidade presidencial.
O deputado federal André Janones (Rede-MG) saiu em defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após o petista chamar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “malandro carioca” durante o debate presidencial da TV Band, realizado no domingo, 18 de outubro de 2026. A declaração de Lula provocou reação de Flávio e críticas de apoiadores do senador, enquanto Janones tentou minimizar a repercussão do episódio.
Em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, Janones afirmou ter recebido mensagens de apoiadores preocupados com a repercussão da fala presidencial. O deputado argumentou que a expressão “malandragem carioca” pode ser entendida como sinônimo de esperteza, habilidade e jogo de cintura, e não necessariamente como uma acusação de desonestidade.
“O carioca tem orgulho disso, a malandragem carioca, no sentido do jogo de cintura, o cara ali que sabe se sair, o cara safo”, declarou Janones, conforme reportagem da Revista Oeste, publicada em 19 de outubro.
O parlamentar também comparou a expressão ao uso da palavra “caipira” para descrever o sotaque mineiro. Na avaliação dele, a declaração não provocaria uma perda significativa de votos para Lula no segundo turno. Janones afirmou que não estava pedindo aos apoiadores que defendessem a fala, mas tentando tranquilizá-los sobre seus possíveis efeitos eleitorais.
O QUE LULA DISSE A FLÁVIO BOLSONARO
A controvérsia começou durante uma discussão sobre cortes de gastos públicos. Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre a proposta de redução de despesas e perguntou se o senador pretendia pedir uma motosserra emprestada ao presidente argentino Javier Milei.
Flávio respondeu que os cortes atingiriam privilégios do próprio presidente e de sua esposa, Rosângela da Silva, conhecida como Janja. O senador mencionou supostos gastos de R$ 7 bilhões relacionados a viagens da primeira-dama. A agência de checagem Lupa contestou essa afirmação, esclarecendo que o valor citado se aproximava do total gasto em viagens por toda a estrutura do governo federal entre 2023 e 2025, e não exclusivamente por Janja.
Na sequência, Lula classificou o adversário como “mentiroso contumaz” e afirmou: “É o malandro carioca, que finge que não finge e mente descaradamente”.
A expressão foi dirigida a Flávio, mas acabou provocando uma reação mais ampla por associar o termo “malandro” à identidade carioca, em um contexto de disputa eleitoral nacional.
FLÁVIO REAGE E SE SOLIDARIZA COM OS MORADORES DO RIO
No bloco seguinte do debate, ao iniciar sua participação em uma discussão sobre saúde, Flávio Bolsonaro reagiu à declaração presidencial e afirmou que gostaria de se solidarizar com os moradores do Rio de Janeiro.
“Eu fui aqui chamado de malandro pelo meu concorrente. É assim que ele trata as pessoas quando ele tem um estado como o Rio de Janeiro, uma maioria que escolhe a mudança e não a continuidade desse atual programa”, declarou o senador.
A reação buscou ampliar o debate para além do confronto pessoal, destacando a interpretação de que a expressão poderia ser recebida como uma generalização ofensiva contra os cariocas.
No primeiro turno, Flávio obteve 53,01% dos votos no estado do Rio de Janeiro, contra 39,41% de Lula, segundo os números citados na cobertura do debate. Na capital fluminense, o senador também ficou à frente, com 47,88%, enquanto o presidente registrou 43,91%.
CRÍTICAS E REPERCUSSÃO POLÍTICA
A declaração de Lula gerou críticas de aliados de Flávio Bolsonaro. O juiz aposentado Marcelo Bretas publicou a frase “Carioca não é malandro”, enquanto o deputado estadual Anderson Moraes questionou o que o presidente pensava dos moradores do Rio. O senador Carlos Portinho também reagiu, defendendo que os cariocas são trabalhadores e não deveriam ser associados à malandragem.
Janones, por sua vez, procurou reduzir a dimensão da controvérsia, sustentando que a expressão possui um sentido cultural relacionado à habilidade de contornar dificuldades. Sua defesa, entretanto, não elimina o debate sobre a conveniência de um presidente da República recorrer a expressões que podem ser interpretadas como estereótipos regionais durante um confronto eleitoral.
RESPEITO, RESPONSABILIDADE E DEBATE DEMOCRÁTICO
O episódio expõe duas questões distintas: a liberdade de criticar um adversário político e a responsabilidade de escolher palavras que não sejam interpretadas como ataques a grupos de cidadãos.
Lula tem o direito de questionar as declarações e propostas de Flávio Bolsonaro. Da mesma forma, o senador tem o direito de contestar o presidente e apontar o que considera ofensivo. O problema surge quando o debate deixa de se concentrar em propostas e fatos verificáveis e passa a ser dominado por provocações pessoais e expressões que alimentam a polarização.
A defesa apresentada por André Janones demonstra que aliados do presidente consideram administrável a repercussão eleitoral da declaração. Contudo, minimizar os efeitos políticos de uma fala não significa que todos os cidadãos atingidos por sua interpretação devam considerá-la aceitável.
O respeito aos moradores de qualquer região deve estar acima das conveniências eleitorais. Cariocas, mineiros, nordestinos, paulistas e brasileiros de todas as origens merecem ser tratados sem generalizações depreciativas.
O debate presidencial deveria oferecer aos eleitores condições para comparar propostas sobre segurança pública, economia, saúde, educação e gestão dos recursos públicos. Quando a discussão se transforma em uma disputa de rótulos, perde-se a oportunidade de esclarecer como cada candidato pretende governar o país.
Conclusão: André Janones defendeu Lula ao afirmar que “malandro carioca” se referia à esperteza e ao jogo de cintura, e não a uma ofensa aos moradores do Rio de Janeiro. Ainda assim, a declaração presidencial provocou reações legítimas e levantou questionamentos sobre o tom adotado no debate da Band. Em uma eleição decisiva, críticas políticas devem ser firmes, mas o respeito aos cidadãos e a apresentação de propostas concretas precisam continuar no centro da disputa.
Não Calo Notícias — buscamos sempre a verdade e a transparência.