REPÚDIO À MOBILIZAÇÃO DE ANDRÉ JANONES PARA IMPULSIONAR BUSCAS NEGATIVAS CONTRA FLÁVIO BOLSONARO

REPÚDIO À MOBILIZAÇÃO DE ANDRÉ JANONES PARA IMPULSIONAR BUSCAS NEGATIVAS CONTRA FLÁVIO BOLSONARO

Subtítulo: Deputado teria mobilizado milhões de seguidores do canal “Exército do Lula” para aumentar pesquisas com termos negativos contra o senador durante debate da Band; estratégia levanta questionamentos sobre manipulação da percepção pública e transparência na disputa eleitoral.

O deputado federal André Janones (Rede-MG) mobilizou, segundo reportagem publicada pela Gazeta do Povo em 19 de outubro de 2026, seguidores do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, para impulsionar pesquisas negativas sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante o debate presidencial transmitido pela Band na noite de domingo (18).

De acordo com a publicação, o canal reunia mais de 5,4 milhões de seguidores. Durante o debate, Janones orientou apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a pesquisar no Google expressões como “Flávio miliciano”, “Flávio Ana Clara” e “Flávio Comando Vermelho”, com a intenção declarada de fazer esses termos subirem no Google Trends, ferramenta que mostra tendências de pesquisa.

“Porque assim, essas buscas sobem nos Google Trends, e a Band tá anunciando quais são as principais buscas no Google”, afirmou Janones, conforme o trecho reproduzido na reportagem.

TERMOS NEGATIVOS REGISTRARAM ALTA NAS BUSCAS

Segundo dados do Google Trends citados pela Gazeta do Povo, às 22h48 as três expressões estavam entre as principais tendências de pesquisa no Brasil, com crescimento superior a 1.000%. O termo “Flávio miliciano” ultrapassava 500 mil buscas, enquanto “Flávio Comando Vermelho” e “Flávio Ana Clara” registravam mais de 100 mil cada.

Outras expressões relacionadas ao senador também apareceram em alta: “Flávio rachadinha”, com mais de 50 mil buscas, e “Flávio Vorcaro”, com mais de 20 mil. Os números se referiam às tendências observadas nas quatro horas anteriores à consulta. A reportagem ressalva, porém, que esses dados não permitem determinar quantas pesquisas foram realizadas diretamente em resposta à convocação do deputado.

CAMPANHA COORDENADA TAMBÉM ENVOLVEU HASHTAGS FAVORÁVEIS A LULA

A mobilização não se limitou às pesquisas no Google. Conforme a reportagem, o canal também orientou seguidores a publicar hashtags favoráveis a Lula e mensagens contra seu adversário na rede social X.

Entre as expressões divulgadas estavam #ProsperidadeSoComLula, #AbreOSigiloFlavio, #LulaDeuShow e #LulaVenceDebateDaBand. A publicação registrou milhares de encaminhamentos e reações a essas mensagens durante o debate. Às 23h12, #AbreOSigiloFlavio aparecia em segundo lugar entre os assuntos mais comentados do X, seguida por #LulaDeuShow, em terceiro, e #ProsperidadeSoComLula, em quinto.

Embora os registros indiquem uma mobilização digital organizada, eles não demonstram que todos os assuntos em alta tenham sido impulsionados exclusivamente pelo canal de Janones.

REPÚDIO À MANIPULAÇÃO DO DEBATE PÚBLICO

O episódio levanta uma questão importante para a democracia: é legítimo organizar apoiadores para divulgar opiniões políticas, mas é necessário discutir os limites de campanhas coordenadas destinadas a fazer determinadas acusações ou expressões parecerem espontaneamente populares.

O Google Trends mostra o que desperta interesse nas buscas, mas uma tendência de pesquisa, por si só, não comprova a veracidade de uma acusação nem representa um julgamento independente dos eleitores sobre um candidato.

Por isso, repudiamos qualquer prática que tenha como objetivo distorcer artificialmente a percepção pública, sem transparência sobre a origem e a coordenação das ações. A disputa presidencial deve ser pautada por propostas, fatos verificáveis e liberdade de escolha, não pela tentativa de fabricar uma impressão de rejeição popular por meio de mobilizações digitais.

O eleitor brasileiro merece respeito. Se há acusações contra qualquer candidato, elas devem ser avaliadas com base em evidências, e não tratadas como verdade apenas porque determinados termos alcançaram milhares de pesquisas ou ocuparam os assuntos mais comentados das redes sociais.

O caso reforça a necessidade de transparência nas campanhas digitais e de responsabilidade por parte de políticos que mobilizam grandes audiências. A democracia não pode depender de quem consegue dominar artificialmente os mecanismos de busca, mas da capacidade de cada candidato apresentar suas propostas e de cada cidadão formar sua própria opinião.

Não Calo Notícias — buscamos sempre a verdade e a transparência.

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