João Campos leva a Lula o mapa do PSB para 2026 e pede exclusividade em Pernambuco

João Campos leva a Lula o mapa do PSB para 2026 e pede exclusividade em Pernambuco

Presidente do PSB, prefeito do Recife quer ser o único nome apoiado por Lula no estado; partido traça estratégia nacional com foco em Alckmin, SP, MG e reforço na Câmara

O prefeito do Recife, João Campos, assumiu a presidência nacional do PSB e não perdeu tempo: já foi a Brasília apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva os planos do partido para 2026. Em um almoço no Palácio da Alvorada, que contou também com o ministro Márcio França, Campos reforçou o desejo de disputar o governo de Pernambuco com o apoio exclusivo de Lula.

Mas o caminho não está totalmente livre: Lula ainda considera apoiar também a atual governadora Raquel Lyra (PSDB), em uma possível composição com o PSD, o que dividiria o palanque no estado. Para convencer o presidente, João Campos aposta no peso histórico da aliança PSB-PT e na memória afetiva de Lula com seu pai, Eduardo Campos, morto em 2014 durante a campanha presidencial.

Disputa em São Paulo e prioridade a Alckmin

No mesmo encontro, o ministro Márcio França (Empreendedorismo) também buscou espaço. Ele quer disputar o governo de São Paulo e tenta conquistar Lula para encabeçar uma chapa com apoio petista. O problema é que o nome de Fernando Haddad (PT) ainda está no radar, e o futuro político do atual ministro da Fazenda segue indefinido.

No plano nacional, o PSB tem como prioridade manter Geraldo Alckmin como vice de Lula numa eventual reeleição, descartando qualquer possibilidade de lançar o ex-tucano ao governo paulista. Além disso, o partido quer ampliar sua bancada na Câmara dos Deputados, que hoje conta com apenas 15 parlamentares — bem abaixo do que já teve no passado.

Missão: crescer em Minas Gerais

João Campos também está de olho em Minas Gerais. Ele tenta atrair nomes de peso para fortalecer o PSB no estado. Entre os cotados está Tadeu Martins Leite, atual presidente da Assembleia Legislativa mineira, hoje no MDB. Caso aceite o convite para migrar de partido, seu nome será lançado ao governo mineiro.

Outro possível reforço é o deputado federal Diego Andrade (PSD), que também foi sondado por Campos para entrar na legenda. Mas a movimentação do PSB em Minas esbarra em um plano alternativo já ventilado por Lula: lançar o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), ao governo do estado. Até agora, porém, Pacheco não deu sinal verde.

Estratégia em curso

Enquanto as alianças ainda são costuradas nos bastidores, o PSB traça um plano claro: manter presença no núcleo duro do governo Lula, garantir palanques fortes em estados estratégicos e crescer tanto em influência quanto em número de cadeiras no Congresso. A janela partidária de abril de 2026, quando deputados poderão trocar de legenda sem perder o mandato, será um momento decisivo.

Com isso, João Campos não apenas se posiciona como um protagonista do novo PSB, mas também como uma das figuras centrais da reconfiguração da base governista rumo à próxima eleição presidencial. E, como mostrou no almoço com Lula, não pretende dividir o palanque em Pernambuco — nem os planos de poder.

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