Mensagens de Daniel Vorcaro revelam preocupação com evento em Londres após sanções dos EUA contra Alexandre de Moraes

Mensagens de Daniel Vorcaro revelam preocupação com evento em Londres após sanções dos EUA contra Alexandre de Moraes

Subtítulo: Integrante da equipe de comunicação do Banco Master sugeriu adiar um fórum jurídico previsto para agosto de 2025 após a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do Supremo Tribunal Federal. Conversas extraídas pela Polícia Federal do celular do banqueiro indicam que a organização temia perder convidados e provocar impactos nos negócios do banco. O evento acabou cancelado.

Mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, indicam que a equipe de comunicação do banqueiro discutiu adiar um fórum jurídico previsto para acontecer em Londres, na Inglaterra, em agosto de 2025. O encontro teria a participação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e era patrocinado pelo Banco Master.

De acordo com reportagem publicada pelo Terra em 16 de outubro de 2026, com informações divulgadas originalmente pelo jornal O Estado de S. Paulo, a preocupação dos organizadores aumentou depois que o governo dos Estados Unidos anunciou sanções contra Moraes com base na Lei Magnitsky, em 30 de julho de 2025.

As conversas indicam que Ana Matos, então responsável pela comunicação e pelo marketing do Banco Master, alertou Vorcaro sobre os riscos políticos e comerciais de manter o evento nas condições inicialmente planejadas. Entre as preocupações estavam a possível desistência de autoridades convidadas e os efeitos negativos sobre a imagem do banco, que negociava uma operação de venda ao Banco Regional de Brasília (BRB).

O material divulgado também aponta que a programação era discutida com o ministro Alexandre de Moraes e com sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes. A existência dessas conversas levanta questionamentos sobre a relação entre o banqueiro, os organizadores do evento e os participantes previstos, mas não comprova, por si só, qualquer irregularidade criminal.

A programação era discutida com Alexandre de Moraes e Viviane Barci

Em mensagem de 22 de julho de 2025, antes do anúncio das sanções norte-americanas, Ana Matos relatou a Vorcaro que havia passado o dia acertando a programação do fórum com Moraes e Viviane Barci de Moraes.

Na conversa, a executiva afirmou que o ministro e sua esposa haviam feito alterações na programação e que o material estava tomando forma. Segundo a mensagem divulgada, Vorcaro apareceria na abertura e no encerramento do evento.

Ana também demonstrou preocupação com a repercussão que o encontro poderia ter sobre a negociação envolvendo o Banco Master e o BRB. A preocupação mostra que a equipe comercial e de comunicação avaliava não apenas a organização do fórum, mas também os possíveis efeitos sobre os interesses financeiros da instituição.

Diante desse cenário, Vorcaro pediu que seu nome fosse retirado da divulgação e que a comunicação do evento fosse adiada. A alternativa discutida era deixar o Grupo Voto, responsável pela organização, e o escritório de advocacia de Walfrido Warde à frente da divulgação.

A mudança permitiria reduzir a exposição pública do nome do banqueiro em um momento considerado delicado para os negócios do banco.

Sanções dos Estados Unidos aumentaram a preocupação

Em 30 de julho de 2025, o governo do então presidente norte-americano Donald Trump anunciou sanções contra Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky.

A medida aumentou a preocupação entre os organizadores do fórum, que temiam que a participação do ministro pudesse provocar desistências e dificultar a realização do encontro.

Segundo as mensagens divulgadas, Ana Matos informou a Vorcaro que estava em contato com Viviane Barci e que Moraes estava telefonando diversas vezes ao longo do dia.

No dia seguinte, a executiva demonstrou receio de que outros ministros do Supremo desistissem de participar do evento. As conversas também mencionavam a falta de confirmações e a ausência de respostas de convidados que haviam sido procurados anteriormente.

A equipe avaliava, portanto, que a sanção imposta a Moraes poderia comprometer a presença de autoridades e tornar a realização do fórum mais difícil.

A Lei Magnitsky prevê sanções financeiras e restrições relacionadas à entrada nos Estados Unidos contra pessoas incluídas na lista de sancionados. A aplicação da medida a Moraes provocou uma crise diplomática e política entre os governos brasileiro e norte-americano.

Equipe propôs adiar o fórum para evitar novas desistências

Nas conversas atribuídas à equipe de Vorcaro, Ana Matos sugeriu que o evento fosse transferido para outra data, na expectativa de que a situação política se estabilizasse e mais ministros aceitassem participar.

A proposta também considerava a possibilidade de preservar o encontro sem associá-lo diretamente ao nome de Vorcaro na divulgação pública.

As mensagens indicam que a equipe temia que a realização do fórum naquele momento prejudicasse o Banco Master e aumentasse a exposição negativa do patrocinador.

O evento, inicialmente previsto para agosto de 2025, acabou cancelado. As conversas divulgadas mostram que a decisão foi precedida por discussões sobre o adiamento, a participação das autoridades e a estratégia de comunicação.

A documentação também sugere que os organizadores acompanhavam de perto as consequências políticas das sanções e avaliavam como elas poderiam afetar a programação.

Contratos milionários com o escritório da esposa do ministro

A reportagem também retoma informações sobre contratos envolvendo o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes.

Segundo as informações divulgadas, a Polícia Federal encontrou um contrato de R$ 131 milhões relacionado a serviços advocatícios prestados ao banco. Também foi mencionado um acordo de R$ 50 milhões relacionado à transferência de cotas de duas aeronaves associadas a Vorcaro.

A existência desses contratos passou a integrar o debate público sobre possíveis conflitos de interesse e sobre a necessidade de esclarecer as relações comerciais entre o banco e pessoas próximas a integrantes do Judiciário.

A contratação de serviços jurídicos, isoladamente, não comprova irregularidade. Para avaliar a natureza dos acordos, é necessário considerar os serviços contratados, os pagamentos efetivamente realizados, a documentação disponível e eventuais relações com processos ou decisões judiciais.

O ponto central é que os valores e as circunstâncias dos contratos exigem esclarecimentos proporcionais à relevância pública do caso, sem que se transforme automaticamente uma relação profissional em prova de crime.

Alexandre de Moraes contesta as acusações

Alexandre de Moraes negou a troca de mensagens com Daniel Vorcaro e classificou as acusações como uma “farsa montada”. O ministro também afirmou que as denúncias teriam motivação político-eleitoral.

Procurados pela imprensa para comentar especificamente o evento em Londres, Moraes e Viviane Barci de Moraes não haviam se manifestado sobre os detalhes relatados na publicação do Terra.

As negativas do ministro e a ausência de manifestação específica sobre o episódio precisam ser registradas ao lado das informações divulgadas a partir das mensagens. O material publicado pela imprensa não equivale, por si só, a uma conclusão judicial sobre eventual responsabilidade.

O que as mensagens revelam — e o que ainda precisa ser esclarecido

O conteúdo divulgado aponta três aspectos centrais: a participação de integrantes da equipe de Vorcaro na organização de um evento com Alexandre de Moraes; a preocupação com a repercussão das sanções norte-americanas sobre o encontro; e a decisão de cancelar o fórum após a perspectiva de desistências de convidados.

As mensagens também levantam questionamentos sobre a influência de interesses comerciais na organização de eventos que reuniam autoridades públicas e representantes do setor privado.

Entretanto, é necessário separar o que está documentado das conclusões que ainda dependem de apuração. As conversas indicam tratativas e preocupações da equipe do banco, mas não demonstram automaticamente que o ministro tenha cometido alguma irregularidade ou que decisões judiciais tenham sido influenciadas pelo patrocínio.

A investigação precisa esclarecer a natureza das relações, os papéis desempenhados por cada participante e a eventual existência de condutas incompatíveis com as obrigações de agentes públicos.

O caso Banco Master continua a provocar questionamentos sobre transparência, conflitos de interesse e relações entre o setor financeiro e instituições públicas. A divulgação das mensagens amplia o material disponível para análise, mas a responsabilização de qualquer envolvido depende de provas concretas e da avaliação das autoridades competentes.

Fonte: Terra — Marketing de Vorcaro sugeriu adiar evento com Moraes após Magnitsky, mostram mensagens.

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