Repúdio à exploração da imagem de Charlie Kirk em ataque contra Júlia Zanatta durante ato pró-Lula

Repúdio à exploração da imagem de Charlie Kirk em ataque contra Júlia Zanatta durante ato pró-Lula

Cartaz exibido em Florianópolis associou a deputada federal Júlia Zanatta à imagem do ativista conservador norte-americano Charlie Kirk, assassinado em 2025. O episódio, acompanhado de outros protestos contra a parlamentar, levanta questionamentos sobre os limites da intolerância e da violência simbólica na disputa política.

Um participante de uma manifestação em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada em 13 de outubro de 2026, em Florianópolis (SC), exibiu um cartaz com a imagem da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) sobreposta ao rosto de Charlie Kirk, ativista conservador norte-americano assassinado a tiros em setembro de 2025. O material também trazia a frase “Vote 13 Lula” e a inscrição “não representa SC”.

O episódio merece repúdio quando a disputa política recorre à imagem de uma pessoa assassinada para atacar adversários. Criticar uma parlamentar faz parte da democracia; transformar a morte de alguém em instrumento de provocação política pode aprofundar a hostilidade e empobrecer o debate público.

A manifestação ocorreu após outro protesto, em Goiânia (GO), no qual participantes penduraram um boneco com o rosto de Zanatta e simularam um açoitamento, acompanhado da frase “Sinhá Zanatta no tronco”. Os atos foram realizados depois que a deputada comemorou sua reeleição, em 4 de outubro, segurando um chicote. Zanatta explicou que o gesto fazia referência à expressão regional “ganhou de relho”, utilizada para simbolizar uma vitória expressiva.

Reeleita com 560.233 votos, segundo os dados divulgados pelas reportagens, Júlia Zanatta afirmou que avalia medidas jurídicas e relatou ter recebido ameaças de morte. O presidente Lula também comentou o episódio do chicote, sem citar diretamente a parlamentar, dizendo que havia uma deputada catarinense que “anda com chicote na mão”.

O contraste é evidente: enquanto os grupos políticos defendem seus próprios valores e acusam os adversários de intolerância, manifestações como essas mostram como a rivalidade pode ultrapassar a crítica legítima e descambar para a humilhação pessoal. A democracia exige liberdade para discordar, mas também responsabilidade para não transformar ameaças, encenações violentas ou a morte de terceiros em armas políticas.

O repúdio a esse tipo de manifestação não depende de concordar com Júlia Zanatta, com Lula ou com qualquer partido. Deve valer para todos. A crítica política é legítima; intimidação e glorificação da violência não devem ser normalizadas, independentemente de quem seja o alvo.

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