
Joesley Batista leva pauta da carne brasileira até Trump em Washington
Empresário discute tarifas de exportação em encontro estratégico nos EUA
O empresário Joesley Batista, acionista da J&F, holding que controla a JBS, se reuniu com o ex-presidente americano Donald Trump no início de setembro para tratar da sobretaxa de 50% sobre a carne brasileira exportada para os Estados Unidos, onde a empresa mantém negócios relevantes. O encontro, confirmado por fontes ouvidas pelo GLOBO, marca um movimento estratégico em meio a uma tensão comercial crescente entre os dois países.
Além da JBS, Joesley atua no setor de celulose, por meio da Eldorado, mas o foco da conversa foi o setor de carnes, que já enfrenta taxa de 40% imposta por Trump, somada a uma tarifa adicional de 10% aplicada em abril. Nos EUA, metade da receita global da JBS é gerada por lá, com investimentos de US$ 835 milhões previstos para 2025 em fábricas de linguiça e bacon, além da operação da Pilgrim’s Pride, produtora de frango americana que doou US$ 5 milhões à campanha de Trump em 2024.
O peso da JBS no mercado americano foi determinante para o encontro. A empresa negocia ações na Bolsa de Nova York, buscando ampliar sua base de investidores, enquanto mantém presença expressiva em diversos segmentos: JBS Beef, JBS Pork, JBS Prepared Foods e Pilgrim’s USA, somando mais de 75 mil empregados nos EUA de um total de quase 280 mil funcionários globalmente.
O empresário brasileiro integrou ainda uma comitiva empresarial liderada por João Carlos Camargo, do Esfera Brasil, ao lado de Lirio Parisotto, Carlos Sanchez (EMS) e José Felix (Ballard Partners), em reuniões com conselheiros e parlamentares americanos. O objetivo declarado: fortalecer relações históricas entre Brasil e EUA, reduzir tarifas e retomar um diálogo amistoso.
As negociações também coincidem com o anúncio de que Lula se encontrará com Trump na Assembleia Geral da ONU, um passo considerado decisivo para destravar impasses comerciais e políticos. Outros setores estratégicos, como a Embraer, também participam da agenda, prometendo investimentos que podem chegar a US$ 22 bilhões até 2030, fortalecendo o canal de diálogo econômico entre os dois países.
O movimento evidencia que, para além das disputas políticas, a diplomacia comercial e o peso das empresas brasileiras, especialmente JBS e Embraer, são peças-chave na negociação de tarifas e investimentos nos Estados Unidos.