Jorginho Mello defende Polícia Militar após ocorrência com candidata do PT em Jaraguá do Sul

Jorginho Mello defende Polícia Militar após ocorrência com candidata do PT em Jaraguá do Sul

Governador afirma que policiais foram acionados após denúncia de perturbação do sossego e ameaça e critica tentativa de transformar a ocorrência em disputa política

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), saiu em defesa da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) após a ocorrência registrada na noite de sábado (12), em Jaraguá do Sul, envolvendo a advogada Fernanda Klitzke, candidata a segunda suplente ao Senado na chapa de Décio Lima (PT).

Jorginho afirmou que a ocorrência não começou por uma questão política, mas depois que uma moradora acionou o telefone 190 para reclamar de um veículo com som alto estacionado próximo à sua residência. Segundo o governador, a mulher relatou que o barulho estava incomodando seu filho, que possui transtorno do espectro autista.

A versão apresentada pela Polícia Militar é de que a equipe foi chamada para atender uma ocorrência envolvendo perturbação do sossego e ameaça. Durante a abordagem, segundo o registro policial divulgado, teria ocorrido resistência e interferência física contra os agentes. A PM também informou que uma policial sofreu lesão na mão e que houve tentativa de retirada da arma da agente.

Jorginho: “A polícia não foi lá de graça”

Em manifestação pública, Jorginho Mello questionou a tentativa de apresentar o episódio inicialmente como um caso de perseguição política.

O governador defendeu que os policiais foram chamados para atender uma ocorrência real e que os fatos precisam ser analisados desde o início da intervenção.

Em entrevista, Jorginho afirmou que a ocorrência estava registrada e que eventual excesso também deveria ser apurado pelas autoridades competentes. O governador ressaltou que ninguém está acima da lei, independentemente de ser candidato, parlamentar ou autoridade.

Para Jorginho, portanto, o ponto central é simples: a Polícia Militar foi acionada por uma moradora e tinha a obrigação de atender à ocorrência.

Fernanda Klitzke apresenta outra versão

Fernanda Klitzke, advogada e candidata a segunda suplente de Décio Lima, apresentou uma versão diferente.

Ela afirmou que deixou o local para acompanhar a abordagem e que se identificou como advogada. Segundo seu relato, teria tentado acalmar os policiais e acabou sendo imobilizada, derrubada e atingida por disparos de munição de menor potencial ofensivo.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram parte da abordagem e registram Fernanda sendo imobilizada e posteriormente atingida por disparos de bala de borracha.

O PT classificou o episódio como violência política e cobrou investigação.

A OAB de Jaraguá do Sul também informou que acompanha o caso e presta apoio institucional à advogada. Já o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) declarou acompanhar os desdobramentos e defendeu uma apuração célere e transparente.

O que diz a Polícia Militar

A PMSC sustenta que os agentes estavam cumprindo uma ocorrência e que houve resistência durante a intervenção.

A corporação anunciou que a Corregedoria-Geral da Polícia Militar vai apurar as circunstâncias da ação.

Esse ponto é fundamental: a investigação interna ainda precisa estabelecer se houve excesso na utilização da força ou se a atuação dos policiais ocorreu dentro dos protocolos legais.

Portanto, não é correto antecipar uma condenação dos policiais antes da conclusão da apuração.

Da mesma forma, a versão apresentada pelos envolvidos também precisa ser considerada dentro do procedimento investigativo.

Jorginho critica a transformação do caso em disputa eleitoral

O governador foi contundente ao criticar a exploração política do episódio.

Jorginho afirmou que a esquerda teria tentado transformar uma ocorrência policial em uma arma política contra a Polícia Militar e seu governo. Em sua manifestação, chamou o episódio de uma possível “armadilha” contra a corporação.

A posição do governador encontra respaldo no argumento de que a ocorrência teve início antes da chegada dos policiais, a partir de uma reclamação feita por uma moradora ao 190.

Ou seja, a Polícia Militar não teria escolhido aquele endereço por causa da presença de militantes ou de uma candidata. A equipe foi acionada para atender uma ocorrência.

A questão da igualdade perante a lei

Outro argumento apresentado por Jorginho merece destaque.

Segundo o governador, uma pessoa que ocupa uma posição política ou possui mandato não pode utilizar sua condição para obter tratamento diferente durante uma abordagem policial.

A lógica defendida por Jorginho é a de que todos devem estar submetidos às mesmas regras.

Candidato, suplente, deputado, senador, governador ou cidadão comum devem respeitar a autoridade policial quando uma ocorrência está sendo atendida.

Isso não significa que policiais estejam autorizados a cometer abusos.

Significa que eventual abuso precisa ser comprovado e apurado, assim como eventual resistência ou agressão contra agentes públicos também deve ser investigada.

Justiça Eleitoral também entra no caso

O episódio ganhou ainda uma dimensão eleitoral.

O TRE-SC determinou liminarmente a retirada de anúncios pagos que impulsionavam vídeos relacionados à ocorrência nas redes sociais das campanhas de Décio Lima (PT) e Gelson Merísio (PDT).

A decisão não avaliou se houve ou não agressão policial. O entendimento foi especificamente sobre o uso de impulsionamento pago para propaganda eleitoral negativa.

Isso é importante porque a decisão eleitoral não representa uma conclusão sobre o mérito da ocorrência policial.

A investigação sobre a abordagem continua sendo outra questão.

Crítica: não se pode condenar a PM antes da investigação

A principal crítica que surge diante do episódio é contra a tentativa de transformar imagens parciais em uma conclusão definitiva.

Vídeos podem mostrar momentos importantes de uma ocorrência, mas nem sempre registram tudo o que aconteceu antes ou depois.

Por isso, a investigação da Corregedoria deve analisar câmeras, depoimentos, registros do 190, laudos, relatórios policiais e todas as imagens disponíveis.

Se houve excesso, os responsáveis precisam responder.

Se houve resistência ou tentativa de interferência na atuação policial, isso também precisa ser reconhecido.

A Justiça não pode funcionar pela lógica da torcida política.

Jorginho acerta ao defender a apuração

A posição mais consistente do governador está justamente em defender os policiais sem impedir a investigação.

Jorginho afirmou que não concorda com o que ocorreu e que o episódio não deveria ter acontecido, mas também sustentou que os fatos precisam ser rigorosamente apurados.

Essa é uma posição institucionalmente mais segura do que simplesmente condenar os policiais ou os envolvidos antes da conclusão da investigação.

A Polícia Militar tem a obrigação de atender ocorrências.

E também tem a obrigação de respeitar a lei.

Se houve excesso, deve haver responsabilização.

Mas, enquanto a apuração não terminar, não se pode transformar policiais em culpados por antecipação.

Conclusão

O episódio de Jaraguá do Sul colocou Polícia Militar, governo de Santa Catarina, PT, OAB e Justiça Eleitoral no centro de uma disputa que rapidamente ganhou dimensão política.

De um lado, Fernanda Klitzke, candidata a segunda suplente na chapa de Décio Lima, afirma ter sido vítima de violência durante a abordagem.

Do outro, a Polícia Militar sustenta que atendia a uma ocorrência de perturbação do sossego e ameaça e que houve resistência e interferência física durante a ação.

O governador Jorginho Mello (PL) decidiu defender a corporação e questionar a tentativa de transformar a ocorrência em um episódio político.

E há um ponto em que a posição do governador merece razão: a Polícia Militar precisa ter condições de atender ocorrências sem ser previamente tratada como culpada simplesmente porque a pessoa abordada possui ligação política.

Ao mesmo tempo, a própria PM acertou ao determinar uma investigação pela Corregedoria.

Agora, cabe aos órgãos competentes esclarecer o que aconteceu.

Nem candidato está acima da lei. Nem policial está acima da lei.

A diferença é que, em uma democracia, quem decide quem tem razão não é a militância política — são as provas e a investigação.

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