Flávio Dino pede investigação sobre elo entre André Mendonça e Banco Master e amplia guerra interna no STF

Flávio Dino pede investigação sobre elo entre André Mendonça e Banco Master e amplia guerra interna no STF

Ministro questiona relação entre o Banco Master, o Instituto Iter, contratos ligados a São Paulo e encontro entre André Mendonça e Daniel Vorcaro; pedido ocorre em meio à crise interna do Supremo e levanta debate sobre possível uso político das investigações

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou ao presidente da Corte, Edson Fachin, um pedido para que sejam investigadas possíveis conexões entre o Banco Master, o Instituto Iter, fundado pelo ministro André Mendonça, e contratos relacionados a serviços funerários e educacionais no Estado de São Paulo.

A iniciativa ocorre justamente no momento em que o STF enfrenta uma das maiores crises internas de sua história recente, provocada pelas investigações envolvendo o Banco Master e pelas acusações e contra-acusações entre ministros da própria Corte.

Segundo as informações divulgadas sobre a decisão de Dino, o ministro reuniu uma série de circunstâncias que, em sua avaliação, precisam ser esclarecidas. O documento, porém, não estabelece que André Mendonça tenha cometido crime ou praticado irregularidade. O próprio conjunto de informações apresentado aponta para a necessidade de apuração das conexões, e não para uma conclusão antecipada de culpa.

O encontro entre Mendonça e Daniel Vorcaro

Um dos pontos destacados por Flávio Dino é um encontro ocorrido em março de 2025 entre André Mendonça e Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master.

A reunião aconteceu no Instituto Iter, entidade fundada por Mendonça e voltada a atividades de formação, liderança e capacitação profissional.

O encontro ganhou importância no atual contexto porque Vorcaro se tornou uma das figuras centrais das investigações envolvendo o Banco Master e porque, paralelamente, André Mendonça foi o ministro responsável por conduzir parte dos procedimentos relacionados ao caso.

O fato de um ministro do STF ter recebido um banqueiro investigado, por si só, não demonstra favorecimento, corrupção ou interferência em decisão judicial. O questionamento de Dino é se existem outros elementos que possam estabelecer uma conexão relevante entre o encontro, o Instituto Iter e negócios posteriormente analisados pelo Supremo.

A questão dos cemitérios de São Paulo

Outro ponto levantado por Dino envolve uma disputa judicial relacionada às concessões de serviços funerários e cemitérios privados em São Paulo.

O ministro menciona a relação entre a empresa Cortel, ligada à administração dos cemitérios municipais, e pessoas relacionadas ao Banco Master.

Um dos nomes citados é Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, que teria ocupado posição relacionada à Cortel.

Dino também chamou atenção para a atuação de Alexandre de Almeida Mendonça, irmão de André Mendonça, na SP Regula, agência responsável pela regulação de serviços públicos, inclusive na área funerária e cemiterial.

Outro elemento levantado é que, após o encontro entre Mendonça e Vorcaro, o ministro teria participado de julgamento envolvendo regras relacionadas aos serviços funerários.

Para Dino, a coincidência temporal e as relações existentes justificam esclarecimentos.

Mas é fundamental fazer uma distinção: coincidência temporal, vínculos profissionais ou familiares e participação em julgamentos não são, isoladamente, prova de favorecimento ilícito.

O Instituto Iter e os contratos

O Instituto Iter também entrou no centro da discussão.

Segundo as informações divulgadas, a entidade fundada por Mendonça passou a manter contratos remunerados com órgãos públicos de São Paulo.

Um dos contratos mencionados envolve a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), ligada ao governo paulista, com valor informado de aproximadamente R$ 1,63 milhão, para serviços técnicos relacionados a formação e gestão educacional.

Dino quer esclarecer se existe alguma relação entre essas atividades, o Banco Master, pessoas próximas a Daniel Vorcaro e os processos que passaram pelo STF.

O ministro também citou que Mendonça informou, em setembro de 2026, que deixaria o quadro societário da entidade criada em 2024.

Dino não apresentou uma condenação contra Mendonça

Esse ponto precisa ser destacado.

O pedido de Flávio Dino representa uma solicitação de apuração, e não uma decisão judicial que tenha declarado André Mendonça culpado de qualquer irregularidade.

As informações disponíveis apontam que Dino considera que há elementos suficientes para esclarecer possíveis conexões, mas não que tenha demonstrado definitivamente a existência de um crime.

Essa diferença é fundamental para preservar o devido processo legal e evitar que uma investigação seja transformada em condenação antecipada.

A crítica: por que investigar agora?

A iniciativa de Flávio Dino, entretanto, abre espaço para uma questão política e institucional importante.

Por que essa investigação surge justamente no momento em que André Mendonça está no centro das revelações envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro?

Mendonça foi o ministro responsável por levar ao conhecimento do STF informações relacionadas às comunicações entre Moraes e Vorcaro e por tornar públicos documentos do caso Banco Master.

Nos últimos dias, o ministro também retirou o sigilo de diversos procedimentos relacionados ao banco, atendendo a uma solicitação do presidente do STF, Edson Fachin.

Ao mesmo tempo, Moraes contestou duramente a atuação de Mendonça e afirmou que o relatório apresentado pelo colega seria uma “farsa”, atribuindo motivação político-eleitoral às acusações.

Nesse cenário, o pedido de Dino inevitavelmente provoca questionamentos.

A impressão de uma guerra interna

A sucessão de acontecimentos alimenta a percepção de que o caso Banco Master deixou de ser apenas uma investigação financeira e passou a representar também uma batalha interna dentro do próprio STF.

De um lado, estão as acusações e questionamentos envolvendo Alexandre de Moraes e sua relação com Daniel Vorcaro.

De outro, surgem agora questionamentos sobre André Mendonça, justamente o ministro que levou ao plenário elementos relacionados a Moraes.

A crítica que pode ser feita à atuação de Dino é que o Supremo precisa tomar cuidado para não transformar divergências entre ministros em uma sequência de investigações cruzadas.

Se cada ministro passar a responder às suspeitas levantadas contra um colega com novas suspeitas contra o denunciante, a população poderá ter dificuldade para distinguir uma apuração legítima de uma disputa institucional.

Investigação é legítima, mas deve valer para todos

Há uma questão que não pode ser ignorada: se existem indícios objetivos envolvendo André Mendonça, eles precisam ser esclarecidos.

Não deve existir ministro acima da investigação.

Mas o mesmo princípio precisa valer para todos os integrantes da Corte.

A regra deve ser uma só: transparência, provas, contraditório e investigação independente.

Não pode existir uma situação em que um ministro seja investigado porque surgiram mensagens, encontros ou contratos que precisam de esclarecimento, enquanto o

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