
Julgamento do caso Henry Borel vira caos e é adiado após abandono da defesa
Saída repentina de advogados interrompe júri e levanta questionamentos sobre respeito à Justiça
O que deveria ser mais um passo rumo à resposta que o Brasil espera acabou se transformando em um cenário de tensão e ruptura. O julgamento do caso envolvendo a morte do menino Henry Borel foi interrompido nesta segunda-feira (23), no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, após uma atitude inesperada da defesa do ex-vereador Dr. Jairinho.
A nova data foi marcada: 25 de maio. Mas o adiamento deixou um rastro de indignação, atrasando ainda mais um caso que já carrega anos de dor e espera por justiça.
Debates intensos, decisão negada e um gesto que paralisou tudo
A sessão começou pela manhã, mas rapidamente saiu do controle. A defesa insistiu no adiamento, alegando não ter tido acesso completo às provas — argumento que foi rejeitado pela juíza responsável, que entendeu que não havia prejuízo real ao direito de defesa.
Diante da negativa, o advogado Zanone Júnior tomou uma atitude drástica: abandonou o plenário. Em efeito dominó, os demais advogados também deixaram o local.
O resultado foi imediato: julgamento interrompido.
Juíza reage com firmeza e fala em desrespeito à Justiça
A decisão da magistrada foi dura e direta. O abandono foi classificado como um ato grave, considerado ofensivo à dignidade da Justiça.
Como consequência, os advogados poderão ser responsabilizados financeiramente pelos prejuízos causados — desde custos com estrutura do tribunal até despesas com jurados, testemunhas e servidores públicos.
Além disso, a juíza determinou o envio do caso para a Ordem dos Advogados do Brasil, que poderá apurar possíveis infrações éticas. O episódio também será comunicado ao ministro Gilmar Mendes.
Acusação critica manobra e pede меры para evitar novo adiamento
A reação da acusação foi de indignação. O promotor Fábio Vieira lamentou o ocorrido, destacando o impacto negativo no andamento do processo.
Já o assistente de acusação, Cristiano Medida na Rocha, foi além: classificou a atitude como injustificável e sugeriu que, em uma próxima sessão, a Defensoria Pública assuma a defesa, evitando que o julgamento seja novamente interrompido.
Mais um capítulo de atraso em um caso que clama por justiça
A morte de Henry, em 2021, continua sendo uma ferida aberta. Um crime que chocou o país, não apenas pela brutalidade, mas pelo contexto: uma criança de apenas 4 anos, vítima de violência dentro de casa.
Agora, com mais esse adiamento, a sensação que fica é de um sistema que caminha lentamente diante de uma dor urgente.
Porque enquanto o julgamento não acontece, a pergunta continua ecoando — incômoda, insistente e sem resposta:
até quando a justiça vai demorar para chegar?