
“É como matar meu filho de novo”, diz pai de Henry após adiamento do júri
Desabafo de Leniel Borel expõe revolta diante de manobra que interrompeu julgamento e reacendeu dor da família
O adiamento do julgamento pela morte do menino Henry Borel não foi apenas uma decisão judicial — foi, para o pai, uma ferida reaberta. Em tom de revolta e dor, Leniel Borel classificou o episódio como um “segundo assassinato”, ao ver mais uma vez a justiça se distanciar de uma resposta definitiva.
O caso, que já se arrasta há anos, ganhou mais um capítulo tenso nesta segunda-feira (23), após o júri popular ser interrompido de forma abrupta.
Manobra da defesa interrompe julgamento e levanta suspeitas de estratégia para atrasar o caso
O julgamento começou como esperado, mas rapidamente foi tomado por um impasse. A defesa do ex-vereador Dr. Jairinho insistiu no adiamento, alegando não ter tido acesso completo a provas importantes, como conteúdos de dispositivos eletrônicos ligados ao pai da vítima.
A juíza Elizabeth Louro negou o pedido, entendendo que não havia justificativa suficiente.
Foi então que veio o gesto mais polêmico: os advogados abandonaram o plenário.
A atitude paralisou o julgamento e forçou o adiamento da sessão, que agora deverá ocorrer em nova data ainda a ser confirmada oficialmente.
Revolta, dor e sensação de injustiça: o grito de um pai que não quer silêncio
A reação de Leniel foi imediata e carregada de emoção. Para ele, o que aconteceu não foi apenas uma questão jurídica, mas um desrespeito profundo com a memória do filho.
Sem rodeios, ele classificou o episódio como uma “palhaçada” e uma tentativa clara de atrasar o processo. Sua fala traduz o sentimento de muitas pessoas que acompanham o caso: a justiça parece caminhar a passos lentos demais diante de uma tragédia tão brutal.
Réus seguem no centro de um caso que ainda busca respostas
No banco dos réus estão Dr. Jairinho, acusado de homicídio qualificado, e Monique Medeiros, apontada por omissão.
A morte de Henry, aos 4 anos, em 2021, chocou o país ao revelar sinais de violência dentro do próprio lar — um espaço que deveria ser sinônimo de proteção.
Justiça adiada, dor prolongada
Cada adiamento não é apenas uma mudança de agenda — é um prolongamento da angústia. É mais tempo sem respostas, mais tempo sem encerramento, mais tempo para que a sensação de impunidade cresça.
A fala de Leniel resume o impacto disso tudo: quando a justiça falha em avançar, a dor não apenas permanece — ela se multiplica.
E, no meio de tudo isso, fica uma certeza incômoda: enquanto o julgamento não acontece, a história de Henry continua sem o desfecho que o país espera.