
Governo no vermelho: déficit de R$ 17,3 bilhões em agosto expõe rombo nas contas públicas
Banco Central revela que despesas superaram arrecadação e dívida bruta segue em 77,5% do PIB
O Brasil fechou agosto com as contas no vermelho. Segundo dados divulgados nesta terça-feira (30/09/2025) pelo Banco Central, o setor público – que inclui União, estados, municípios e estatais, excluindo bancos e Petrobras – registrou déficit primário de R$ 17,3 bilhões. Ou seja, o governo gastou mais do que arrecadou em impostos e contribuições, sem contar os juros da dívida.
No detalhamento:
- Governo federal: déficit de R$ 15,9 bilhões
- Estados e municípios: déficit de R$ 1,3 bilhão
- Estatais: déficit de R$ 6 milhões
Nos últimos 12 meses, o déficit primário acumulado atingiu R$ 23,1 bilhões, equivalente a 0,19% do Produto Interno Bruto (PIB).
Juros da dívida e déficit nominal
Além do gasto corrente, o governo pagou R$ 74,3 bilhões em juros da dívida pública em agosto – acima dos R$ 69 bilhões pagos no mesmo mês de 2024. Somando as despesas do dia a dia e os juros, o déficit nominal chegou a R$ 91,5 bilhões, totalizando R$ 969,6 bilhões nos últimos 12 meses, ou 7,81% do PIB.
Dívida do país
A dívida líquida, que desconta os ativos do governo, ficou em 64,2% do PIB (R$ 8 trilhões), impulsionada pelo pagamento de juros e pela valorização do dólar frente ao real. Já a dívida bruta, que considera todo o endividamento sem deduzir ativos, permaneceu estável em 77,5% do PIB (R$ 9,6 trilhões). Esse é o número mais acompanhado por investidores para avaliar o controle das contas públicas.
O resultado evidencia o peso dos gastos do governo e dos juros sobre a economia, mostrando que o rombo das contas continua sendo um desafio urgente para a gestão fiscal do país.