
Lei Magnitsky em Cena: Paulo Figueiredo provoca Gilmar Mendes por apoio a Alexandre de Moraes
Neto de ex-presidente da ditadura vive nos EUA e atua com Eduardo Bolsonaro contra sanções a aliados do governo
Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho, neto do último presidente da ditadura militar brasileira, João Baptista Figueiredo, está radicado nos Estados Unidos desde 2017. De lá, ele tem se envolvido ativamente na política, acompanhando e comentando os acontecimentos no Brasil, principalmente ao lado do deputado federal Eduardo Bolsonaro, em uma articulação para impor sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo Alexandre de Moraes.
Recentemente, Paulo Figueiredo usou suas redes sociais para ameaçar o ministro Gilmar Mendes, também do STF, após Mendes manifestar apoio público a Moraes. “Obrigado, facilita a vida para sancioná-lo quando há uma declaração tão clara de apoio – como prevê a própria Lei Magnitsky”, escreveu Figueiredo, em resposta à defesa de Mendes.
A Lei Magnitsky, sancionada nos EUA, permite o congelamento de bens e o bloqueio de contas de autoridades estrangeiras que cometam graves violações de direitos humanos ou atos de corrupção. Essa lei foi aplicada contra Alexandre de Moraes, algo inédito para um magistrado de um país democrático, embora Moraes não tenha bens ou contas nos EUA, nem tenha visto americano válido.
No início do mês, o governo Trump revogou o visto dele e de familiares próximos, citando o processo em andamento no STF contra Jair Bolsonaro, acusado de tentar um golpe em 2022. Eduardo Bolsonaro, que morou nos EUA por alguns meses sob alegação de perseguição política, tem sido peça-chave nessa estratégia de retaliação.
Gilmar Mendes, por sua vez, destacou a importância do trabalho de Moraes para a democracia brasileira, ressaltando a necessidade de independência do Judiciário diante de pressões externas. “A independência do Poder Judiciário brasileiro é um valor inegociável”, afirmou.
Por outro lado, William Browder, investidor britânico responsável por impulsionar a criação da Lei Magnitsky, criticou o uso da lei contra Moraes, afirmando que o ministro não se encaixa nos critérios para a aplicação das sanções. Diversas organizações internacionais e de direitos humanos também manifestaram preocupação com a utilização política e seletiva da legislação, alertando para riscos de interferência estrangeira e fragilização das instituições brasileiras.
Enquanto isso, o debate segue intenso, em meio a acusações, retaliações e uma disputa geopolítica que mistura interesses internos e externos, deixando claro que a Lei Magnitsky se transformou em um instrumento não só de combate à corrupção e violação de direitos, mas também de conflitos políticos que ecoam muito além das fronteiras do Brasil.