
Banco Central dá pausa e mantém Selic em 15% ao ano após quase um ano de aumentos seguidos
Decisão unânime do Copom interrompe ciclo de alta que durou 10 meses; taxa alcança o maior patamar desde 2006
Depois de quase um ano seguidamente elevando os juros, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central resolveu dar um tempo. Nesta quarta-feira (30), por unanimidade, os diretores decidiram manter a taxa básica, a Selic, em 15% ao ano — o maior nível que a Selic atingiu desde 2006.
Esse patamar, que deve durar pelo menos 45 dias, marca a pausa em uma sequência de sete aumentos consecutivos iniciada em setembro do ano passado, numa tentativa clara de conter a inflação que insiste em não ceder facilmente.
O Copom reforçou a necessidade de manter uma política monetária dura e prolongada para combater a alta dos preços, que continua teimando, mesmo com a economia aquecida e pressões salariais crescentes. A taxa Selic, lembrando, é a principal ferramenta do Banco Central para controlar o IPCA, índice oficial da inflação no Brasil. Juros mais altos deixam o crédito mais caro, freiam o consumo e ajudam a segurar o avanço dos preços.
A decisão brasileira veio no mesmo dia em que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, também manteve suas taxas estáveis, refletindo um cenário global de cautela nas políticas monetárias.
Nos últimos meses, o Banco Central brasileiro havia adotado uma postura firme, subindo a Selic de 10,75% para 15%, numa série de sete reajustes para tentar domar a inflação, que não para de desafiar as expectativas.