
Lewandowski se irrita com rapidez de Derrite e expõe falta de seriedade no debate do PL Antifacção
Ministro da Justiça critica relatório feito “em 24 horas” e lamenta que meses de trabalho técnico do governo sejam atropelados por decisões apressadas no Congresso.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, não escondeu sua indignação nesta terça-feira (11) ao comentar o ritmo acelerado com que o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) tem revisado o PL 5582/2025, conhecido como Projeto de Lei Antifacção.
Durante uma coletiva em Brasília, Lewandowski comparou o trabalho cuidadoso do governo — que levou seis meses de consultas e debates com instituições, especialistas e representantes da sociedade civil — com o que chamou de uma “corrida de 24 horas” feita pelo relator da proposta na Câmara.
“Levamos seis meses para construir o nosso projeto. Ouvimos o Ministério Público, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária, a sociedade civil e a academia. E, de repente, somos surpreendidos com um relatório feito em 24 horas, depois outro em 48, e agora mais um em 24”, desabafou o ministro.
As críticas vieram após uma reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na qual Lewandowski tentou sugerir ajustes no texto original do governo Lula — alterações que, aparentemente, foram ignoradas pelo relator.
⚠️ Um projeto que pede cautela, não pressa
O ministro deixou claro que o PL Antifacção não pode ser tratado como uma mera disputa política ou corrida contra o relógio. Ele lembrou que o texto do governo foi elaborado com base em critérios técnicos e jurídicos para combater o crime organizado sem abrir brechas para abusos de poder.
Enquanto isso, Derrite pareceu minimizar o embate. O deputado afirmou que o novo texto “mantém o conteúdo central” e que “ninguém do governo o procurou”. O detalhe é que essa postura reforça o problema apontado por Lewandowski: a falta de diálogo e o atropelo institucional na discussão de um projeto tão sensível.
💬 Pressa e política: uma combinação perigosa
O mais preocupante é que estamos falando de uma lei que pode alterar a atuação da Polícia Federal e interferir na forma como o Estado combate facções criminosas. Fazer mudanças desse porte “em 24 horas” é, no mínimo, um desrespeito à seriedade que o tema exige.
O episódio expõe uma ferida antiga da política brasileira: a pressa em legislar por conveniência, e não por responsabilidade. Como lembrou Lewandowski, o combate ao crime organizado precisa de firmeza, mas também de critério. E isso não se constrói com relatórios relâmpago feitos de um dia para o outro.