
Líder do Governo Lula na Mira do STF por Supostos Desvios em Emendas
Nova frente de investigação, autorizada por Gilmar Mendes, inclui José Guimarães e outros políticos do Ceará; eles negam qualquer envolvimento
Uma nova investigação foi aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar possíveis desvios na destinação de emendas parlamentares. Entre os nomes que surgem como alvos está o deputado José Guimarães (PT-CE), líder do governo Lula na Câmara. A iniciativa partiu do ministro Gilmar Mendes, que determinou a abertura de uma apuração separada, voltada especificamente para parlamentares com foro privilegiado.
A nova frente deriva da operação da Polícia Federal deflagrada no dia 8 de julho, que tem como foco o deputado Júnior Mano (PSB-CE). Durante as investigações, apareceram indícios que envolveriam também os nomes de Guimarães, do ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB-CE), e de Yury do Paredão (MDB-CE). Todos negam qualquer prática irregular.
Segundo Gilmar Mendes, o objetivo é aprofundar a análise sobre a “destinação e execução ilícitas de emendas parlamentares”, com base em conversas e documentos obtidos nas diligências da PF. Embora esses parlamentares não tenham sido alvos diretos da operação, os registros encontrados levaram o ministro a separar esse material para uma nova linha de apuração no STF.
Em nota, José Guimarães afirmou que não destinou nenhuma emenda para os municípios mencionados nas investigações. Sobre Choró (CE), ele destacou: “Nas últimas eleições municipais, inclusive, nosso candidato perdeu para o atual prefeito”. Em relação a Canindé, disse que não indicou verbas para o município nem em 2024 nem em 2025.
A investigação da PF busca descobrir se emendas parlamentares enviadas a municípios do interior cearense foram usadas em licitações fraudulentas e, depois, direcionadas para financiar campanhas de aliados de Júnior Mano.
Conversas interceptadas pela PF mostram negociações que envolvem a destinação de verbas mediante cobrança de propina, referida como “pedágio” ou “imposto”. O principal articulador do esquema, segundo os investigadores, seria Carlos Alberto Queiroz, conhecido como Bebeto do Choró (PSB), que venceu a eleição municipal de 2024, mas teve sua posse barrada pela Justiça Eleitoral. Ele está foragido.
Mensagens obtidas pela PF mostram Bebeto mencionando o nome de Guimarães em supostas destinações de recursos para obras de pavimentação e saúde. Há também referência a um repasse de R$ 2 milhões para Choró atribuído ao deputado petista. Outro diálogo menciona R$ 1 milhão que teria sido enviado por Eunício Oliveira para Canindé.
Um depoimento que chama atenção é o de uma ex-prefeita de Canindé, que afirmou ter rompido com o grupo político de Júnior Mano após se recusar a devolver 10% de emendas supostamente enviadas por Guimarães.
As assessorias dos citados divulgaram notas. A equipe de Eunício Oliveira disse que as emendas foram indicadas de forma transparente e legal, e que ele solicitou ao ministro da Saúde a suspensão da transferência para Canindé. Já Yury do Paredão afirmou que todas as suas destinações de recursos estão publicamente acessíveis no portal da Câmara dos Deputados.
Essa investigação reforça a pressão sobre o uso das chamadas emendas parlamentares — um instrumento muitas vezes associado ao jogo político, mas que também pode se tornar um atalho para corrupção, como aponta a PF. Agora, o STF terá a missão de esclarecer até onde vai a responsabilidade de cada um dos citados.
Perguntar ao ChatGPT