Lula Abre a Mala Diplomática e Oferece a Petrobras: “Quer gás? A gente perfura aí!”

Lula Abre a Mala Diplomática e Oferece a Petrobras: “Quer gás? A gente perfura aí!”

Em tom de dono da estatal, presidente diz que Petrobras ‘se trancou no Brasil’ e promete reabrir a porta… na África

Em mais um daqueles discursos em que parece esquecer que Petrobras é empresa, não souvenir presidencial, Lula aproveitou a passagem por Moçambique para oferecer os serviços da estatal brasileira como quem oferece ajuda para trocar lâmpada: “Nada impede que a dona Petrobras venha aqui perfurar o gás de vocês.”

Durante um fórum com empresários brasileiros e moçambicanos, o presidente afirmou que Moçambique tem gás de sobra, mas faltaria “expertise”. E, claro, a solução — na visão dele — seria chamar a Petrobras, ressuscitar sua presença na África e retomar velhos tempos em que empresas brasileiras estavam em praticamente todo país africano “fazendo alguma coisa”.

Com a habitual nostalgia, Lula lamentou que a estatal “se trancou dentro do Brasil” e acusou governos anteriores de querer “fatiar e vender a Petrobras”. Pintou um cenário quase heroico da empresa antes da Lava Jato, ignorando discretamente o rastro das empreiteiras — Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa — que o próprio presidente de Moçambique fez questão de lembrar no evento.

O retorno das estatais à África — versão 2025

Lula repetiu que o Brasil precisa de gás, Moçambique tem gás, e o “casamento perfeito” seria juntar necessidades com nostalgia diplomática. Ele ainda relembrou que, no seu primeiro mandato, incentivava empresas brasileiras a produzirem no continente para driblar barreiras europeias. E criticou a suposta “falta de coragem” de quem não quis embarcar nesse modelo.

A visita coincide com os 50 anos de relações Brasil–Moçambique e inclui cerimônias, acordos, reuniões e — claro — mais um título de doutor honoris causa para Lula, que aparentemente coleciona esses diplomas como outros colecionam canecas de viagem.

Minerais críticos: agora o discurso é verde

Lula também aproveitou para falar sobre minerais críticos, defendendo que o Brasil não deve “apenas vender” lítio e cobalto, mas obrigar empresas a industrializar no país se quiserem explorar. Disse ainda que parcerias com a África fazem mais sentido, já que vender para EUA e Alemanha sempre foi mais difícil.

E, como sempre, Lula já tem outro grande palco à vista: prometeu ir à feira de Hannover, em 2026, para “provar” que o combustível brasileiro é o que menos polui no planeta. Uma espécie de competição de CO₂ patrocinada pelo governo brasileiro.

No fim, a viagem inteira teve a marca registrada do presidente: diplomacia misturada com nostalgia, estatais tratadas como ferramentas pessoais, promessas gigantes e um tom paternalista que Lula usa com mais naturalidade do que qualquer outro político brasileiro.

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