Lula e Sua Volta ao Passado: A “Retomada Histórica” Que Sempre Inclui os Mesmos Amigos

Lula e Sua Volta ao Passado: A “Retomada Histórica” Que Sempre Inclui os Mesmos Amigos

Em discurso emotivo na África, presidente promete reconstruir relações… e ressuscitar velhos parceiros do petismo

Em mais um daqueles discursos longos, cheios de emoção e referências históricas que Lula adora, o presidente anunciou em Moçambique o que chamou de “retomada histórica” da presença do Brasil no continente africano. Para quem acompanha política, a fala soou quase como déjà-vu: Lula fala em África, empresários atrás dele, estatais na frente, e um projeto gigantesco de cooperação que — adivinhe — traz de volta os mesmos aliados de sempre.

Diante de empresários brasileiros, ministros e autoridades moçambicanas, Lula repetiu que o Brasil tem uma “dívida histórica de 350 anos de escravidão” com o continente africano. Segundo ele, essa dívida não se paga com dinheiro, mas com amizade, solidariedade e tecnologia brasileira — principalmente aquela fornecida por Embrapa, Fiocruz, Petrobras e, claro, o velho conhecido BNDES, que ele diz ter “recuperado” após anos de abandono.

A plateia, formada por executivos e autoridade, ouviu Lula relembrar com saudosismo seus primeiros governos, quando o Brasil abriu 19 embaixadas, financiou obras, construiu universidades, fez projetos sociais e ocupou boa parte da África com empreiteiras e estatais. Hoje, segundo ele, tudo isso foi “destruído” por governos recentes — e precisa ser reconstruído tijolo por tijolo.

As estatais ressurgem das cinzas

Lula fez questão de ressaltar que quer a turma toda de volta:

  • Embrapa para “revolucionar a savana africana”;
  • Fiocruz para expandir a cooperação em saúde;
  • Petrobras para explorar gás moçambicano;
  • BNDES para retomar o financiamento de obras no exterior — prática que marcou seus governos anteriores e, desta vez, volta com verniz renovado.

Nada impede que a Petrobras mande sua engenharia para tirar o gás e ajudar Moçambique a se desenvolver”, disse Lula, como quem convida velhos amigos para retomar um bar que fecharam anos atrás.

Retomada histórica ou repetição de roteiro?

Para os críticos, a fala de Lula parece mais um remake político: ele fala em futuro, mas a lista de convidados para reconstruir a relação com a África é praticamente a mesma de 20 anos atrás. Muda a década, muda a crise, mas o time é o mesmo.

Enquanto isso, o presidente afirma que passou “dois anos recuperando o país e a credibilidade internacional”, e que agora espera que os empresários “embarquem de vez” nessa nova fase — ou, para alguns, nesse repeteco cuidadosamente embalado como novidade.

No fim, Lula se despediu reforçando que essa é uma nova etapa do Brasil na África. E, de fato, é nova — na mesma medida em que um reboot de novela antiga pode ser considerado novidade.

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