
Lula acelera pacote social e mira classe média e periferia para reconquistar apoio antes da eleição
Após perder espaço no Congresso e sofrer críticas pelo aumento das tarifas americanas, governo aposta em ações diretas e discurso mais próximo do povo
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está tentando tirar o máximo proveito de uma leve melhora em sua popularidade, principalmente depois de reforçar o discurso de justiça tributária nas redes sociais. Para isso, o Planalto decidiu acelerar a implantação de programas sociais que falam diretamente com a população, enquanto Lula intensifica sua presença nas ruas e nas comunidades, e usa o tema da soberania nacional para responder ao “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos, comandados por Donald Trump.
Entre as principais medidas estão o programa Gás para Todos, que vai distribuir botijões de gás para famílias mais vulneráveis; o Luz do Povo, que isenta ou oferece descontos na conta de luz para essas famílias; e o Agora tem Especialistas, que pretende diminuir a fila de espera no SUS. O Gás para Todos deve começar a funcionar ainda este mês, via Medida Provisória, enquanto as outras duas já tiveram suas MPs publicadas.
O governo também planeja uma linha de crédito chamada provisoriamente de Melhorias, para facilitar pequenas reformas em casas, além de um programa que financia a compra de motos e carros para trabalhadores de aplicativos — um público que cresce a cada dia.
Além de focar na população de baixa renda, o governo quer alcançar a classe média com uma proposta de lei que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil por mês. Para essa faixa, foi lançado ainda uma nova etapa do programa Minha Casa Minha Vida, voltada para famílias que ganham até R$ 12 mil mensais.
Outro ponto importante é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que mira justamente a classe média das cidades. No início de agosto, o PT realizou seu encontro nacional, onde essas iniciativas foram debatidas com a bancada petista no Congresso.
Um integrante do alto escalão do governo contou que o clima no Palácio do Planalto é aproveitar o momento de melhora na popularidade para entregar resultados palpáveis para a população.
Esse mesmo integrante destacou que, depois da crise do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o governo entrou numa fase diferente, conseguindo articular um discurso eficaz nas redes sociais, centrado no conflito “ricos versus pobres”.
Além disso, a sobretaxa de 50% anunciada por Trump sobre os produtos brasileiros exportados aos EUA, que poderia parecer um problema, acabou dando força política para o governo Lula.
Segundo a pesquisa Genial/Quaest, divulgada uma semana depois do anúncio da sobretaxa, a reprovação ao governo caiu de 57% para 53%, enquanto a aprovação subiu de 40% para 43%. Outras pesquisas confirmam tendência parecida, com exceção do Datafolha, que manteve números estáveis.
Lula também mudou sua agenda para estar mais próximo do povo. Depois de uma intensa movimentação internacional entre maio e junho, em julho o presidente participou de nove eventos públicos, mais do que o dobro em relação a junho, quando foram quatro.
Entre esses compromissos, Lula visitou a Favela do Moinho, no centro de São Paulo, e a comunidade do Jardim Rochdale, em Osasco, onde entrou nas casas das pessoas, conversou com famílias e reforçou sua mensagem de defesa dos direitos e da soberania nacional, tudo acompanhado e divulgado em suas redes sociais.