
Lula alerta para riscos de aprovação de anistia a Bolsonaro no Congresso
Presidente critica força da extrema-direita e questiona atuação de parlamentares em encontro no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou preocupação sobre a possibilidade de o Congresso Nacional aprovar uma anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente alvo de julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal). A declaração foi feita durante encontro com comunicadores e ativistas do Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte.
“Se o Congresso votar, corremos o risco de a anistia passar. O Congresso, como vocês sabem, não é um Congresso eleito pela periferia. Tem ajudado o governo aprovando nossas propostas, mas a extrema-direita ainda tem muita força”, alertou Lula.
O presidente também criticou indiretamente o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que tentou articular sanções contra o Brasil junto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Estamos vendo agora os falsos patriotas pedindo intervenção americana. Aqueles que se apresentaram como defensores do Brasil agora buscam apoio internacional”, afirmou.
Enquanto o STF continua analisando o caso da tentativa de golpe de Estado, a oposição no Congresso, alinhada a Bolsonaro, tenta pautar a aprovação de uma anistia geral. A proposta beneficiaria não apenas Bolsonaro, mas também investigados no inquérito das fake news.
O movimento ganhou impulso com a atuação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que se reuniu com líderes partidários e buscou apoio de partidos de centro, como União Brasil, PP e Republicanos. Recentemente, União Brasil e PP se afastaram do governo Lula, pressionando ministros filiados às legendas a deixar cargos, em preparação para as eleições gerais de 2026.
Para o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), Tarcísio tem sido peça importante ao tentar ampliar o apoio da base ao texto. Já o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), explicou que pedidos de urgência sobre a proposta devem ser avaliados na próxima semana, com a votação final prevista para depois do julgamento do STF.
O episódio evidencia o clima tenso entre o Executivo, o Legislativo e os aliados de Bolsonaro, e coloca em foco a disputa política que se aproxima das eleições de 2026.