
Presidente de comissão dos EUA cobra sanções contra Alexandre de Moraes: “A repressão cruzou fronteiras”
Congressista Christopher Smith envia carta dura a Marco Rubio e pede punição urgente ao ministro do STF por perseguição a opositores até em solo americano
A pressão contra o ministro Alexandre de Moraes ganhou fôlego internacional. O deputado norte-americano Christopher H. Smith, presidente da Comissão de Direitos Humanos do Congresso dos EUA, enviou uma carta contundente ao secretário de Estado Marco Rubio, cobrando sanções imediatas contra o magistrado brasileiro.
Smith, que é o parlamentar em exercício há mais tempo no Congresso americano e tem forte influência na política externa dos EUA, destacou que os abusos cometidos por Moraes não se limitam ao Brasil. Segundo ele, a perseguição a opositores do governo ultrapassou fronteiras, alcançando até cidadãos e residentes permanentes nos Estados Unidos — algo que, para o congressista, rompeu todos os limites aceitáveis do poder judicial.
O estopim para o pedido foi o depoimento do jornalista Paulo Figueiredo, na última terça-feira (25), na Comissão Tom Lantos de Direitos Humanos, co-presidida por Smith. Durante sua fala, Figueiredo classificou Moraes como um “ditador vestido de juiz” e apresentou uma série de casos de repressão transnacional, relatando que o ministro do STF tem perseguido opositores políticos mesmo fora do Brasil, atingindo inclusive brasileiros que vivem legalmente nos EUA.
Smith revelou ainda que, em junho de 2024, já havia enviado uma correspondência formal a Moraes solicitando esclarecimentos sobre violações de direitos humanos, mas jamais obteve resposta. Agora, com o testemunho detalhado de Figueiredo — um documento de 18 páginas anexado à carta —, o congressista diz não haver mais dúvidas: “Os fatos agora diante de nós estão além de disputa”.
No texto endereçado a Rubio, Smith pede urgência na aplicação de sanções via Lei Magnitsky Global, um mecanismo usado pelos EUA para punir autoridades estrangeiras envolvidas em graves abusos de direitos humanos. Ele ainda sugere que outros nomes ligados à repressão também sejam identificados e responsabilizados no futuro.
A fala de Rubio no mês passado, afirmando que sanções contra Moraes estavam “muito prováveis”, agora ganha novo peso — e a cobrança interna nos EUA pode acelerar o processo.
Essa movimentação evidencia o quanto o embate jurídico e político travado no Brasil já começa a provocar ecos internacionais — e pode colocar o país sob escrutínio externo por práticas autoritárias dentro do sistema judicial.