
Lula aposta na justiça tributária como base para um país mais igualitário após revés no Congresso
No lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar, presidente reforça compromisso com pequenos produtores e admite desafios, enquanto enfrenta resistência sobre impostos e decretos no Legislativo
Durante o lançamento do Plano Safra para a Agricultura Familiar 2025/2026, realizado no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que, para ele, a construção de um Brasil mais justo passa necessariamente por uma reforma na tributação.
“Queremos um país que seja de fato justo. E isso começa na tributação, para depois seguir para uma distribuição mais equilibrada dos recursos. Por isso estamos isentando o imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e lutando para que o gás chegue mais barato nas casas das pessoas,” afirmou Lula em Brasília.
O presidente destacou que o novo Plano Safra traz uma série de medidas para fortalecer a agricultura familiar, ampliando o crédito e facilitando o acesso a máquinas e equipamentos, o que pode transformar a vida dos pequenos produtores e, consequentemente, das famílias brasileiras que dependem dessa produção.
O evento, que contou com a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, além de outras autoridades como o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann, Carlos Fávaro e Marina Silva, reforçou o compromisso do governo com um setor vital, ainda que nem sempre valorizado.
Para o Plano Safra 2025/2026, o governo destinou R$ 89 bilhões em crédito e incentivos, sendo R$ 78,2 bilhões apenas para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) — um aumento em relação ao ciclo anterior.
Entre as novidades, a compra de máquinas e equipamentos pequenos poderá chegar a R$ 100 mil, com juros de 2,5%, e para máquinas maiores, até R$ 250 mil, a taxa será de 5%, considerada “juros reais zero” pelo presidente, já que acompanha a inflação.
“Esse é um bom plano, embora longe de ser perfeito. Estamos trabalhando para melhorar ainda mais no próximo ano,” disse Lula, que pretende ampliar ainda mais os benefícios.
O ministro Paulo Teixeira revelou que o custo total do Plano Safra chega a R$ 9,5 bilhões, distribuídos entre o segundo semestre deste ano e o começo de 2026.
No entanto, o cenário político não é dos mais fáceis. Na mesma semana, o governo sofreu uma derrota no Congresso ao ver dois decretos sobre o aumento do IOF serem derrubados, enquanto o debate sobre a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil ganha força e pode acabar na Justiça.
O ministro Fernando Haddad aproveitou para rebater as críticas ao governo, lembrando que o ex-presidente Bolsonaro deixou a tabela do imposto de renda congelada por anos, o que aumentou a carga para os trabalhadores. “Mais de dez milhões de pessoas foram beneficiadas com a isenção aprovada pelo Congresso. Isso é justiça social,” ressaltou Haddad.
Mesmo com tensões, Lula não deixou de mandar um recado direto ao agronegócio: “Não importa para quem o fazendeiro votou, o que quero saber é se ele está produzindo para o país.”
Na terça-feira (1º), o presidente volta ao Palácio do Planalto para lançar a versão do Plano Safra voltada para médios e grandes produtores, ao lado do ministro Carlos Fávaro.
Com essas ações, o governo reforça o compromisso de fortalecer a agricultura familiar e seguir buscando um caminho para um Brasil mais justo, mesmo enfrentando desafios políticos no Congresso.