
Lula ataca Trump por defender Bolsonaro, mas ignora contradição ao apoiar Kirchner condenada por corrupção
Presidente brasileiro critica ingerência dos EUA, mas posa com cartaz pedindo liberdade de ex-presidente argentina sentenciada por corrupção
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou um tom duro nesta segunda-feira (7.jul.2025) ao rebater declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que criticou a prisão de Jair Bolsonaro. Segundo Lula, o Brasil “não aceitará interferência ou tutela de quem quer que seja”. A fala, apesar de firme, expõe uma contradição difícil de ignorar: dias antes, o próprio Lula apareceu em Buenos Aires segurando um cartaz com os dizeres “Cristina libre”, em defesa da ex-presidente argentina Cristina Kirchner, condenada por corrupção.
A imagem, publicada em suas redes sociais no dia 3 de julho, mostra Lula prestando apoio explícito à aliada argentina, que foi sentenciada por esquemas envolvendo contratos fraudulentos durante seu governo. O gesto foi visto por muitos como um pedido de anistia — ou no mínimo, de flexibilização das regras jurídicas que pesam sobre a ex-líder peronista.
Enquanto condena o apoio internacional a Bolsonaro, Lula adota um tom completamente diferente quando o acusado é um aliado político da esquerda latino-americana. A crítica a Trump, portanto, ganha contornos de seletividade: o que vale como “ingerência” para um adversário, vira “solidariedade” quando se trata de uma parceira ideológica.
A cena em Buenos Aires, com Lula empunhando o cartaz, foi amplamente repercutida na imprensa argentina e brasileira, acendendo um debate sobre os critérios éticos e diplomáticos que norteiam o discurso do petista.
Mais do que um embate entre governos, o episódio escancara um velho dilema da política: a coerência nem sempre resiste quando ideologia e conveniência andam de mãos dadas.