
Lula atribui a Bolsonaro a legalização do Banco Master e volta a atacar a direita em ato de campanha
Subtítulo: Ao afirmar que “quem legalizou o Master foi o Bolsonaro”, Lula leva o caso do Banco Master para o palanque eleitoral. A declaração reacende a disputa política em torno da instituição financeira e das responsabilidades de governos anteriores, enquanto as acusações exigem esclarecimentos e comprovação.
O discurso em Guarulhos e as acusações contra Flávio Bolsonaro
Em ato de campanha realizado em Guarulhos, na Grande São Paulo, em 18 de setembro de 2026, Lula afirmou que o Banco Master foi legalizado durante o governo de Jair Bolsonaro e que a instituição foi fechada durante sua gestão, com Fernando Haddad à frente da Fazenda.
O presidente declarou:
“Quem legalizou o Banco Master foi o Bolsonaro. Quem fechou o Banco Master foi o Lula e o Haddad.”
Lula também chamou Daniel Vorcaro de “banqueiro ladrão” e afirmou que ele teria dado um golpe de R$ 60 bilhões. A declaração foi feita em contexto eleitoral, enquanto as investigações sobre o banco continuam em andamento
Crítica: investigação não pode virar palanque seletivo
A fala de Lula merece ser examinada para além do efeito eleitoral. Ao atribuir a responsabilidade pelo caso Master ao governo Bolsonaro e apresentar sua própria gestão como aquela que encerrou as atividades do banco, o presidente constrói uma narrativa política que simplifica um escândalo financeiro complexo.
Fechar uma instituição não significa, por si só, que todas as responsabilidades foram apuradas — assim como ter atuado durante um governo não comprova automaticamente culpa de seus integrantes.
A liquidação do Banco Master foi determinada pelo Banco Central, enquanto as investigações envolvem diferentes pessoas, relações financeiras e possíveis irregularidades. É necessário distinguir as decisões administrativas, as suspeitas investigadas e as responsabilidades que eventualmente forem comprovadas.
A crítica a Lula é justamente esta: em vez de transformar o caso em munição eleitoral, o presidente deveria defender apuração ampla, transparência e responsabilização individual, sem antecipar culpados conforme a conveniência política.
Flávio Bolsonaro também é citado
No mesmo evento, Lula voltou a atacar Flávio Bolsonaro, senador e candidato à Presidência pelo PL, mencionando sua relação financeira com Daniel Vorcaro no contexto do financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.
O vice-presidente Geraldo Alckmin também fez acusações contra Flávio, enquanto Simone Tebet associou adversários políticos ao escândalo. Flávio nega irregularidades.
A existência de relações financeiras ou de investigação não equivale a uma condenação. As acusações devem ser verificadas com base em documentos, provas e manifestações dos envolvido
Conclusão
O caso Banco Master precisa ser esclarecido com transparência, independentemente de quem esteja no poder. Lula tem direito de criticar seus adversários, mas suas afirmações devem ser confrontadas com os fatos e com o andamento das investigações.
A pergunta que fica é: o objetivo é esclarecer o escândalo ou apenas transformar a investigação em instrumento de campanha?
A resposta não deve vir de slogans de palanque, mas de documentos, provas e apurações que alcancem todos os envolvidos, sem privilégios e sem condenações antecipadas.