Lula critica Parlamento Europeu por ação contra acordo Mercosul-UE e mantém discurso otimista

Lula critica Parlamento Europeu por ação contra acordo Mercosul-UE e mantém discurso otimista

Presidente chama ofensiva judicial de “ciúme comercial”, defende potencial do Brasil e volta a alfinetar Donald Trump durante evento da Embrapa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta quinta-feira (23), a decisão do Parlamento Europeu de acionar a Justiça contra o acordo entre o Mercosul e a União Europeia. A declaração foi feita durante participação na Feira Brasil na Mesa, promovida pela Embrapa, em Planaltina (DF).

Em tom crítico, Lula classificou a iniciativa como fruto de interesses protecionistas e sugeriu que há resistência europeia à competitividade brasileira.

“Isso é coisa de gente ciumenta, que não conhece a qualidade do Brasil”, afirmou o presidente.

Acordo segue em disputa judicial

O chefe do Executivo destacou que a ação judicial não interrompe as negociações, mas reconheceu que o impasse exige articulação política e diplomática para avançar.

Segundo Lula, o desafio agora é convencer setores da União Europeia — inclusive no Judiciário — de que o acordo não representa ameaça aos mercados locais.

“Não queremos destruir o produto deles. Queremos competir”, reforçou.

Otimismo em meio à tensão

Apesar do atrito, o presidente disse manter uma visão positiva sobre o futuro do tratado, considerado estratégico para ampliar exportações brasileiras e fortalecer a presença do país no comércio internacional.

Nos bastidores, porém, o episódio expõe um cenário mais complexo: pressões internas na Europa, especialmente de produtores agrícolas, têm dificultado a conclusão definitiva do acordo.

Embrapa no centro da estratégia

Durante o evento, Lula também destacou o papel da Embrapa como peça-chave para elevar a competitividade do agronegócio brasileiro no cenário global. Segundo ele, tecnologia e inovação serão determinantes para consolidar o Brasil como potência exportadora.

Críticas a Trump e recado geopolítico

O presidente aproveitou o discurso para fazer novas críticas ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao comparar estratégias internacionais.

“Enquanto ele quer guerra, nós queremos ensinar a produzir alimentos”, disse Lula, em referência à atuação brasileira em países africanos.

Discurso político e contradições

A fala de Lula também carrega um componente político evidente. Ao atacar a postura europeia e reforçar o protagonismo brasileiro, o presidente tenta consolidar a imagem de defensor da economia nacional — especialmente do agronegócio.

No entanto, críticos apontam contradições: o mesmo setor que hoje é exaltado pelo governo já foi alvo de discursos mais duros em outros momentos. Agora, diante da necessidade de ampliar exportações e apoio político, o tom muda — e o agro passa de alvo de críticas a peça central do discurso oficial.

Cenário indefinido

O acordo Mercosul-UE segue como uma das principais apostas do governo brasileiro no comércio internacional, mas ainda enfrenta obstáculos políticos e jurídicos.

Enquanto isso, declarações como as de Lula ajudam a aquecer o debate — mas também escancaram que, além de negociação técnica, o tema virou campo de disputa política dentro e fora do Brasil.

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