
Lula declara apoio a Delúbio Soares e chama condenado no Mensalão e na Lava Jato de vítima de perseguição
Ex-tesoureiro do PT tenta voltar à Câmara por Goiás; presidente pede votos para o antigo dirigente petista e Delúbio afirma acreditar em vitória de Lula no primeiro turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou apoio à candidatura de Delúbio Soares (PT-GO) para deputado federal por Goiás. Em vídeo divulgado pela campanha, Lula pediu votos para o ex-tesoureiro do partido e afirmou que ele teria sido vítima de uma das maiores perseguições da história do país, além de defender que Delúbio tenha a oportunidade de recuperar sua cidadania e dignidade.

A manifestação ocorre poucos dias antes das eleições de 2026 e coloca novamente no centro do debate a relação de Lula com antigos integrantes da cúpula do PT envolvidos em processos do Mensalão e da Operação Lava Jato.
Lula pede voto para Delúbio
No vídeo publicado nas redes sociais, Lula relacionou diretamente seu apoio eleitoral ao de Delúbio. O presidente pediu aos seus próprios eleitores que também votassem no candidato petista, que disputa uma das vagas de deputado federal por Goiás.
A defesa política feita por Lula ocorre em um momento em que Delúbio tenta retornar à vida institucional depois de ter cumprido pena em decorrência de condenações que posteriormente sofreram alterações na Justiça.
Delúbio foi tesoureiro do PT durante o período em que veio à tona o escândalo do Mensalão, em 2005. No julgamento da Ação Penal 470, o Supremo Tribunal Federal o condenou por corrupção ativa e formação de quadrilha. A condenação por formação de quadrilha acabou posteriormente anulada pelo próprio STF.
A relação com o Mensalão
O Mensalão envolveu acusações relacionadas à utilização de recursos para pagamentos a parlamentares em troca de apoio político. Delúbio foi apontado no julgamento como integrante do núcleo político do esquema e recebeu inicialmente pena total de 8 anos e 11 meses.
Ele cumpriu parte da pena e, em 2016, recebeu perdão de pena concedido pelo então ministro do STF Luís Roberto Barroso, após manifestação favorável do Ministério Público Federal e consideração sobre o comportamento apresentado durante o cumprimento da pena.
Depois de deixar a direção do PT, Delúbio retornou ao partido em 2011 e manteve sua ligação política com Lula e outras lideranças históricas da legenda.
Lava Jato e anulação da condenação
A trajetória judicial de Delúbio também passou pela Operação Lava Jato. Em 2017, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região o condenou por lavagem de dinheiro em processo relacionado a desvios de recursos e contratos públicos.
A condenação foi posteriormente anulada. Em março de 2023, a 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça reconheceu a incompetência da Justiça Federal de Curitiba para processar o caso e determinou a remessa do processo à Justiça Eleitoral. Com isso, os atos decisórios da 13ª Vara Federal de Curitiba e do TRF-4 foram anulados.
Essa distinção é importante: a anulação por questão de competência não equivale, por si só, a uma declaração de inocência sobre o mérito das acusações. O processo deveria seguir na Justiça Eleitoral, conforme determinado pelo STJ.
Delúbio também apoia Lula
A aproximação entre os dois ocorre nos dois sentidos. Antes de receber o apoio público de Lula, Delúbio já havia declarado confiança na campanha presidencial do petista.
Em 17 de setembro, durante uma agenda em Goiânia, o candidato afirmou acreditar que Lula poderia vencer a eleição presidencial ainda no primeiro turno. Delúbio citou pesquisas e disse que o presidente estaria próximo dos votos necessários para encerrar a disputa na primeira etapa.
Na ocasião, Delúbio também destacou sua relação pessoal e política com Lula e afirmou perceber apoio de eleitores à sua própria trajetória.
PT novamente reúne antigos nomes
O apoio a Delúbio ocorre paralelamente à participação de outros nomes históricos do PT na eleição de 2026.
Lula também declarou apoio à candidatura de José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil e outra figura central do Mensalão. Ao defender Dirceu, o presidente classificou sua eventual eleição como uma “reparação histórica”.
O movimento coloca lado a lado diferentes gerações do PT e antigos dirigentes que tiveram participação relevante na história política da legenda.
O debate político
A declaração de Lula produz uma discussão política sobre a forma como o presidente trata antigos aliados atingidos por condenações judiciais. Para seus apoiadores, as anulações posteriores e as decisões judiciais que alteraram os processos são elementos importantes para contextualizar a trajetória dos envolvidos.
Já críticos do presidente destacam que Lula decidiu pedir votos para um antigo tesoureiro do PT que foi condenado no Mensalão e posteriormente também teve condenação anulada no âmbito da Lava Jato.
O fato objetivo é que Delúbio foi condenado pelo STF no Mensalão, cumpriu parte da pena e teve posteriormente uma das condenações anulada; na Lava Jato, a condenação também foi anulada por decisão do STJ em razão da incompetência da Justiça Federal para julgar o caso.
Agora, como candidato do PT em Goiás, Delúbio tenta retornar ao Congresso com o apoio direto de Lula, enquanto mantém sua defesa política do presidente e de sua candidatura à reeleição.