
Oposição busca anistia após condenação de Bolsonaro
Aliados do ex-presidente se mobilizam para tentar aprovar “anistia geral” na Câmara usando voto de Fux
Mesmo após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, aliados do político intensificaram críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e já planejam nova ofensiva no Congresso. O objetivo é pautar um projeto de “anistia ampla e irrestrita” que beneficiaria Bolsonaro, outros réus do caso do 8 de Janeiro e investigados no inquérito das fake news de 2019.
Líderes da oposição passaram a apoiar a proposta com base no voto do ministro Luiz Fux, único a absolver Bolsonaro durante o julgamento. Segundo representantes do PL, a medida seria a “última saída” e deve ser levada à votação na reunião de líderes da Câmara marcada para terça (16) ou quarta-feira (17).
Para o deputado Zucco (PL-RS), o voto de Fux coloca em dúvida a decisão da Primeira Turma do STF e fortalece os pedidos de anistia entre os parlamentares:
— “A oposição não se intimidará. Este episódio só reforça nossa convicção de lutar pela verdade, liberdade e pacificação nacional. Defenderemos a anistia ampla, geral e irrestrita.”
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), classificou a anistia como “o único caminho para reconstruir o país”. Ele defende que a medida não se trata de concessão política, mas de um compromisso com a paz e a estabilidade institucional:
— “Um país não pode viver em guerra permanente contra si mesmo. A anistia reconhece erros, mas opta por reconciliar e pacificar a nação.”
A proposta ganhou força entre partidos como Republicanos, PP e União, após articulação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que se reuniu com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). No Senado, o líder da oposição Rogério Marinho (PL-RN) também endossou a iniciativa, reforçando que a solução para a paz no Brasil deve passar pelo Congresso.
Enquanto isso, a defesa de Bolsonaro anuncia que irá contestar a decisão do STF, e ainda não há definição sobre onde o ex-presidente cumprirá a pena. A condenação atingiu Bolsonaro com a pena mais alta por considerá-lo líder do chamado “núcleo crucial” da trama golpista, que incluiu outros sete réus.