
Lula defende Brasil preparado para conflitos e diz que soberania nacional exige investimento em defesa
Presidente afirma que país não busca guerras, mas precisa fortalecer capacidade militar e tecnológica; durante agenda em São José dos Campos, Lula também falou sobre indústria de defesa, minerais estratégicos e criticou disputa histórica sobre a invenção do avião
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (13) que o Brasil deve manter uma estrutura de defesa preparada para enfrentar possíveis ameaças futuras, embora tenha reforçado que o país segue uma política de defesa da paz. A declaração foi feita durante visita ao Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), em São José dos Campos (SP).
Durante o discurso, Lula destacou que o Brasil não tem interesse em conflitos, mas precisa garantir meios para proteger seu território, suas riquezas naturais e sua soberania.
“Nós não queremos guerra, mas nós queremos um país altamente preparado para defender a sua soberania”, afirmou o presidente.
Segundo Lula, a defesa nacional não deve ser vista apenas como uma questão militar, mas também como uma estratégia de desenvolvimento tecnológico e industrial. Ele lembrou que, desde seus primeiros governos, houve investimentos em projetos ligados à área aeroespacial e à indústria de defesa.
“Quando eu fui presidente pela primeira vez, nós percebemos a fragilidade do Brasil na indústria de defesa. E nós começamos a investir pesado em tecnologia, em conhecimento e na capacidade brasileira”, declarou.
Defesa nacional e tecnologia
Durante a visita ao instituto, Lula conheceu o projeto de desenvolvimento da primeira turbina de avião movida a etanol produzida no Brasil. O presidente destacou o avanço tecnológico do país e afirmou que o domínio de tecnologias estratégicas representa uma conquista nacional.
Segundo ele, o Brasil alcançou uma posição de destaque internacional ao desenvolver o equipamento.
“O Brasil se tornou o sexto país do mundo a produzir uma turbina como essa. Isso é uma grande coisa”, afirmou.
O projeto apresentado faz parte de iniciativas voltadas à busca por alternativas energéticas e ao fortalecimento da indústria aeronáutica brasileira.
Crítica aos Estados Unidos e disputa sobre Santos Dumont
Durante o discurso, Lula também fez uma crítica indireta aos Estados Unidos ao comentar a disputa histórica sobre a invenção do avião.
O presidente afirmou que o Brasil deveria valorizar mais o legado de Alberto Santos Dumont, enquanto os Estados Unidos atribuem aos irmãos Wilbur e Orville Wright a criação da primeira aeronave capaz de realizar voo controlado.
“Os Estados Unidos roubaram de Santos Dumont a primazia da invenção do avião”, disse Lula.
A afirmação retoma uma antiga controvérsia histórica entre brasileiros e norte-americanos sobre quem teria sido o verdadeiro pioneiro da aviação.
Soberania e minerais estratégicos
Na mesma agenda, Lula comentou a reunião realizada no Palácio do Planalto sobre minerais críticos, recursos considerados estratégicos para tecnologias modernas, como baterias, equipamentos eletrônicos e sistemas de energia.
O presidente afirmou que países interessados na exploração desses recursos terão de seguir as regras brasileiras.
“Quem quiser explorar os minerais do Brasil terá que fazer todo o processo dentro do Brasil”, declarou.
A fala ocorre em meio ao aumento da disputa internacional por minerais estratégicos, considerados fundamentais para a transição energética e para setores de alta tecnologia.
Transição energética e futuro sem combustíveis fósseis
Lula também relacionou o cenário internacional de conflitos e instabilidade energética à necessidade de acelerar a transição para fontes renováveis.
O presidente afirmou que o Brasil precisa reduzir gradualmente a dependência do petróleo, apesar de reconhecer a importância econômica do recurso atualmente.
“O Brasil não precisa morrer por conta do petróleo. O petróleo é importante para nós. Nós vamos continuar pesquisando, vamos continuar usando. Mas, ao longo do tempo, vamos preparando o Brasil e a humanidade para viver sem combustível fóssil”, afirmou.
Segundo Lula, crises internacionais mostram a vulnerabilidade dos países que dependem excessivamente de combustíveis fósseis.
Paz, mas com capacidade de defesa
A declaração do presidente ocorre em um momento de aumento das tensões internacionais, com conflitos e disputas envolvendo diferentes regiões do mundo. Lula afirmou que a tradição brasileira é de buscar diálogo e cooperação, mas ressaltou que a defesa da soberania exige preparação.
“Um país pacífico não é um país despreparado. Um país que quer a paz também precisa ter condições de proteger aquilo que é seu”, afirmou.
Durante a visita, o presidente reforçou a ideia de que investimentos em ciência, tecnologia e defesa fazem parte de uma estratégia de longo prazo para ampliar a autonomia do Brasil no cenário internacional.