Lula defende “briga mundial” pelo biocombustível brasileiro e volta a criticar Trump por visão sobre energia

Lula defende “briga mundial” pelo biocombustível brasileiro e volta a criticar Trump por visão sobre energia

Presidente afirma que Brasil deve liderar debate sobre combustíveis renováveis e diz que país precisa “falar mais grosso” na defesa de alternativas ao petróleo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (13) que o Brasil precisa assumir protagonismo internacional na defesa dos biocombustíveis e transformar a pauta ambiental em uma disputa global por novos modelos de energia. Durante visita ao Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, Lula declarou que o país deveria estar à frente desse movimento, em vez de apenas reagir às iniciativas de outros governos.

A declaração ocorreu em meio às tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos e às discussões sobre possíveis novas tarifas norte-americanas contra produtos brasileiros. Lula aproveitou o discurso para defender o etanol, o biodiesel e outras fontes renováveis como alternativas estratégicas aos combustíveis fósseis.

“Se é verdade que o nosso biocombustível significa essa revolução no mundo da descarbonização da economia, significa que nós vamos ter que fazer uma briga mundial. Ao invés do Trump ficar brigando, a gente é que tem que brigar”, afirmou o presidente.

Segundo Lula, o Brasil tem condições de apresentar ao mundo um modelo energético baseado em menor emissão de gases de efeito estufa e em tecnologias desenvolvidas nacionalmente.

“Nós precisamos ser mais desaforados, falar mais grosso, se apresentar em todos os fóruns possíveis, porque essa é uma briga que a gente não só pode ganhar, como a gente deve ganhar”, declarou.

Críticas a Trump e disputa sobre mudanças climáticas

Durante o discurso, Lula voltou a fazer críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, associando a postura do norte-americano a uma resistência às políticas de combate às mudanças climáticas.

O presidente brasileiro afirmou que Trump não reconhece a gravidade da crise ambiental e citou declarações atribuídas ao líder americano sobre o tema.

“O presidente Trump, ele não acredita nessa questão climática. Ele não acredita. Não é a primeira reunião, ele fala em várias reuniões: ‘Eu não acredito, que o mundo está com problema, porque o ar americano é limpo, o ar sujo vem de fora’”, disse Lula.

Na sequência, o petista afirmou que o Brasil deveria apresentar ao mundo sua capacidade de produzir energia limpa.

“O Brasil está preparado para dizer ao mundo que, se quiserem arrumar o ar do planeta, o Brasil está disposto a fazer isso. A produzir aço verde, a emitir zero de gás de efeito estufa. Eu estou preparado”, afirmou.

Etanol brasileiro entra no centro da disputa comercial

A defesa do biocombustível ocorre em um momento de pressão sobre o setor. O governo dos Estados Unidos analisa possíveis tarifas sobre produtos brasileiros após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

Entre os pontos avaliados pelos norte-americanos estão questões comerciais, ambientais e políticas brasileiras relacionadas ao mercado de energia.

O setor brasileiro de etanol afirma que as regras adotadas pelo país seguem normas internacionais. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) argumenta que a tarifa brasileira de importação sobre o etanol está dentro dos parâmetros estabelecidos pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Representantes do setor de biocombustíveis dos Estados Unidos, porém, defendem medidas mais duras contra o produto brasileiro, alegando existência de barreiras comerciais.

Governo aposta em combustíveis renováveis

Durante a agenda em São Paulo, Lula também reforçou a defesa da transição energética e afirmou que o Brasil deve reduzir gradualmente sua dependência do petróleo.

“Não precisa morrer por conta do petróleo”, disse o presidente ao defender que o país continue utilizando recursos fósseis enquanto amplia investimentos em fontes renováveis.

Para Lula, o petróleo ainda tem importância econômica e estratégica, mas não deve ser a única base do desenvolvimento brasileiro.

A visita ao Instituto Mauá de Tecnologia também teve como objetivo apresentar projetos ligados à inovação. O presidente conheceu iniciativas nas áreas de motores, veículos e robótica, além de destacar o desenvolvimento de tecnologias nacionais.

O discurso reforça a estratégia do governo brasileiro de colocar o país como referência em energia renovável, enquanto cresce a disputa diplomática e comercial com os Estados Unidos em torno de tarifas, petróleo e políticas ambientais.

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