Lula defende “regulação” das redes sociais na ONU: entre diplomacia e recados a Trump e Bolsonaro

Lula defende “regulação” das redes sociais na ONU: entre diplomacia e recados a Trump e Bolsonaro

Presidente brasileiro usa palco internacional para falar de tecnologia, democracia e julgar adversários políticos

Durante a abertura da 80ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva trouxe à tona um tema que já é recorrente em sua agenda: a regulação das redes sociais. Para ele, essa medida não seria uma ameaça à liberdade de expressão, mas sim um esforço para que as mesmas regras que valem no mundo real também se apliquem ao universo digital. “Regular não é restringir a liberdade de expressão, é garantir que o que já é ilegal fora da internet seja tratado da mesma forma online”, explicou.

No discurso, Lula aproveitou para enviar recados indiretos a Donald Trump e citar a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), reforçando que princípios democráticos estão sendo ameaçados por sanções arbitrárias e políticas de poder unilaterais. A fala ocorre em meio à crise diplomática mais intensa entre Brasil e Estados Unidos em décadas, que se agravou após Trump impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e sancionar cidadãos do país, incluindo o advogado-geral da União, Jorge Messias, e Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Além das críticas e posicionamentos políticos, Lula teria se reunido em Nova York, na segunda-feira (22), com o diretor-executivo do TikTok, Shou Zi Chew, para discutir investimentos no Brasil e a regulação das big techs. O tema das redes sociais também já havia sido levantado pelo presidente durante um jantar oficial na China, com a intervenção de Janja da Silva, que destacou riscos às crianças e adolescentes no ambiente digital.

Ao mencionar Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos de prisão, Lula ressaltou que a justiça brasileira funcionou: “Um ex-chefe de Estado foi investigado, indiciado, julgado e responsabilizado pelos seus atos, com amplo direito de defesa, algo que ditaduras jamais garantiriam a suas vítimas.”

No palco da ONU, entre discursos formais e encontros internacionais, Lula conseguiu unir pauta tecnológica, política doméstica e diplomacia internacional, reforçando sua narrativa de defesa da democracia e da regulamentação digital, enquanto manda recados claros a adversários e aliados.

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