Lula discute Desenrola 2 no Planalto e aposta em novo programa para renegociação de dívidas

Lula discute Desenrola 2 no Planalto e aposta em novo programa para renegociação de dívidas

Governo prepara pacote com descontos, uso do FGTS e garantias públicas, mas proposta já enfrenta críticas sobre impacto e eficácia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a reunir sua equipe econômica no Palácio do Planalto para finalizar os detalhes do chamado Desenrola 2, uma nova versão do programa voltado à renegociação de dívidas dos brasileiros. A expectativa do governo é anunciar a medida nos próximos dias, em meio ao avanço do endividamento das famílias.

Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, da equipe econômica e de auxiliares próximos, Lula tenta fechar um pacote que promete descontos que podem chegar a até 90% sobre dívidas, além da possibilidade de uso do FGTS para quitar débitos — uma medida que ainda gera dúvidas e debate.

A proposta mira principalmente dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito direto ao consumidor, modalidades conhecidas pelos juros elevados. Além disso, o governo fala em incluir ações de educação financeira e até restrições relacionadas a apostas online.

Mas, fora da sala de reuniões, o clima não é de consenso.

Críticos apontam que o programa pode repetir problemas da primeira versão: alívio imediato para alguns, mas sem atacar a raiz do endividamento. Há também questionamentos sobre o uso do FGTS — um recurso originalmente voltado à proteção do trabalhador — para cobrir dívidas, o que, na prática, pode significar trocar uma reserva de segurança por um fôlego temporário.

Outro ponto sensível é o papel do Fundo Garantidor de Operações (FGO), que deve cobrir eventuais inadimplências. Na leitura de analistas, isso transfere parte do risco para o setor público, levantando dúvidas sobre o custo real da iniciativa no longo prazo.

O contexto ajuda a explicar a pressa. Dados recentes mostram que quase metade das famílias brasileiras está endividada, o maior nível desde o início da série histórica. Diante disso, o governo tenta apresentar uma resposta rápida — ainda que, para muitos, a solução pareça mais paliativa do que estrutural.

No fim, o Desenrola 2 surge como uma aposta política e econômica: de um lado, a tentativa de aliviar o bolso do cidadão; do outro, o desafio de provar que o programa não será apenas mais um remendo em um problema que insiste em voltar.

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