
Lula promulga acordo Mercosul–União Europeia após 27 anos de negociações
Tratado cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo e pode impulsionar exportações e investimentos no Brasil
Depois de quase três décadas de انتظار, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializa nesta terça-feira a promulgação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia — um marco que encerra a etapa de ratificação brasileira e abre um novo capítulo nas relações comerciais do país.
O tratado, que levou 27 anos para sair do papel, desenha uma das maiores zonas de livre comércio do planeta. Juntos, os dois blocos reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e movimentam um Produto Interno Bruto combinado superior a US$ 22 trilhões — um mercado gigantesco que passa a se conectar de forma mais direta.
Na prática, o acordo prevê a redução gradual de tarifas de importação para produtos industriais e agrícolas, além de estabelecer regras claras para áreas estratégicas como investimentos, serviços, compras públicas e propriedade intelectual.
As projeções do governo indicam impactos positivos no longo prazo. A expectativa é que o PIB brasileiro cresça cerca de 0,34% até 2044, o que representa algo em torno de R$ 37 bilhões. Além disso, há estimativas de aumento de 0,76% nos investimentos e expansão de 2,65% nas exportações.
Para reduzir resistências internas, o governo também incluiu mecanismos de proteção. Entre eles, medidas de salvaguarda que permitem reagir a um eventual aumento repentino de importações, buscando proteger tanto a indústria nacional quanto o agronegócio.
No cenário internacional, porém, o acordo ainda precisa avançar. Outros países do Mercosul e da União Europeia seguem seus próprios processos de aprovação. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já sinalizou que parte do tratado pode entrar em vigor de forma provisória enquanto o Parlamento Europeu analisa o texto completo.
Com a etapa brasileira concluída, a expectativa agora é de que o acordo avance para a implementação prática nos próximos meses. Mais do que números, o tratado representa uma tentativa de reposicionar o Brasil no comércio global — abrindo portas, mas também exigindo adaptação em um cenário internacional cada vez mais competitivo.