Lula dispara contra Trump e tenta parecer conciliador na ONU

Lula dispara contra Trump e tenta parecer conciliador na ONU

Presidente brasileiro critica tarifaço americano e se oferece para negociar “em igualdade”, enquanto ignora responsabilidades do ex-presidente Bolsonaro

Na véspera da abertura da Assembleia Geral da ONU, Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar duramente o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, chamando de “inacreditável” a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, em retaliação ao julgamento de Jair Bolsonaro pelo golpe de 2022.

Em entrevista à rede americana PBS, Lula lembrou o Plano Punhal Verde e Amarelo, parte da trama golpista pela qual Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, e apontou que o tarifaço dos EUA não tem justificativa comercial: “É inacreditável que Trump adote esse comportamento em relação ao Brasil por causa do julgamento de um ex-presidente que tentou um golpe, planejou assassinatos e ameaçou nosso Estado Democrático de Direito”, afirmou.

Mesmo criticando Trump, o presidente brasileiro ressaltou estar disposto ao diálogo. Segundo ele, qualquer negociação deve ocorrer em igualdade de condições, sem interferência política, e destacou que sua equipe para tratar de comércio inclui o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda Fernando Haddad e o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira.

Lula afirmou ainda que respeita Trump como chefe de Estado, mas deixou claro que não toma decisões movido por raiva e que a soberania brasileira deve ser preservada em qualquer conversa: “Não tomo decisões com raiva de quem quer que seja, e estamos prontos para negociar quando os EUA quiserem. Mas nossas condições precisam ser respeitadas”, disse.

Sobre declarações anteriores de que, se a invasão do Capitólio tivesse ocorrido no Brasil, Trump teria sido julgado, Lula reforçou sua posição, destacando que não pode opinar sobre o Judiciário americano, mas que seu comentário se baseia no funcionamento do sistema brasileiro.

O discurso mostra, ao mesmo tempo, uma crítica contundente a Trump e uma tentativa de projetar o Brasil como ator diplomático maduro, embora ignore completamente o papel de Bolsonaro nos eventos que motivaram a tensão comercial.

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