
Lula é questionado sobre investigações envolvendo Lulinha e Marcola, mas deixa entrevista sem responder
Presidente falou com jornalistas após cerimônia do Dia do Soldado, em Brasília, mas não respondeu se as investigações podem afetar sua campanha nem se está decepcionado com o ex-chefe de gabinete
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi questionado nesta terça-feira (25) por jornalistas sobre as investigações da Polícia Federal que envolvem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Lula, porém, encerrou a conversa com a imprensa sem responder às perguntas sobre os dois casos.
O episódio ocorreu no Quartel-General do Exército, em Brasília, depois da cerimônia do Dia do Soldado. A iniciativa de falar com os jornalistas após o evento não era habitual. Lula fez uma breve declaração, concentrou-se em temas relacionados à defesa nacional e à participação feminina no Exército e, em seguida, deixou o local enquanto os repórteres faziam perguntas sobre as investigações.
Perguntas ficaram sem resposta
Entre os questionamentos dirigidos ao presidente estavam perguntas sobre o possível impacto das investigações na campanha eleitoral de 2026 e sobre sua relação com Marcola.
Segundo a cobertura do episódio, Lula não respondeu se as investigações poderiam prejudicar sua campanha nem se estava decepcionado com o ex-chefe de gabinete. O presidente simplesmente encerrou sua participação diante dos jornalistas e deixou o local.
A ausência de respostas ocorreu em um momento de crescente exposição pública das investigações envolvendo pessoas próximas ao presidente.
O que envolve Lulinha
Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, é alvo de investigações da Polícia Federal relacionadas a suspeitas de tráfico de influência e possível favorecimento de empresas em negócios com órgãos públicos. Segundo informações divulgadas nesta terça-feira, Lulinha é investigado em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal.
Entre as linhas de investigação estão suspeitas relacionadas a negócios envolvendo medicamentos à base de canabidiol e possíveis tentativas de aproximação de empresas com o Ministério da Saúde e a Dataprev, estatal vinculada ao INSS.
As investigações também mencionam a lobista Roberta Luchsinger, apontada nas apurações como pessoa que manteve contatos com Lulinha e outros envolvidos.
É importante destacar que investigação não equivale a condenação. A defesa de Lulinha nega as acusações e contesta a atuação da Polícia Federal.
Marcola também aparece nas apurações
O ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, também aparece nas investigações.
A Polícia Federal apura possíveis conexões entre Marcola, Lulinha e Roberta Luchsinger. Documentos divulgados pela imprensa apontaram que a lobista teria arcado com determinadas despesas pessoais atribuídas ao ex-assessor.
A defesa de Marcola sustenta que os valores fizeram parte de um empréstimo pessoal posteriormente quitado, negando irregularidades.
Marcola deixou o cargo de chefe de gabinete da Presidência em julho.
Lula já havia comentado o caso
Embora não tenha respondido às perguntas nesta terça-feira, Lula já havia se manifestado anteriormente sobre as investigações.
Em entrevista recente, o presidente afirmou que não interfere nas apurações e que seu filho deverá responder perante a Justiça caso tenha cometido alguma irregularidade. A declaração foi apresentada pelo governo como parte da defesa da autonomia das instituições de investigação.
O presidente também declarou anteriormente que ninguém estaria acima da lei e que Lulinha deveria provar sua inocência caso fosse acusado de algum crime.
Presidente mudou o foco para a defesa
Diante dos jornalistas no Quartel-General do Exército, Lula preferiu falar sobre a política de defesa nacional.
O presidente afirmou que “a questão da defesa entra como prioridade do governo” e defendeu que os investimentos no setor não sejam realizados apenas quando houver recursos sobrando no orçamento.
Lula mencionou a extensão das fronteiras brasileiras, as reservas naturais e minerais e a produção de petróleo para justificar a necessidade de investimentos permanentes na área de defesa.
O presidente também destacou a entrada das primeiras mulheres como recrutas do Exército e classificou o processo como uma “revolução comportamental” dentro da instituição. Segundo Lula, as novas recrutas demonstram que as mulheres podem ocupar diferentes espaços nas Forças Armadas.
Caso ganha dimensão eleitoral
As investigações envolvendo Lulinha e Marcola passaram a ter também repercussão no cenário eleitoral de 2026. Adversários do presidente exploram politicamente as suspeitas, enquanto o governo e o PT afirmam que as investigações devem seguir seu curso e que Lula não interfere no trabalho da Polícia Federal.
O episódio desta terça-feira, portanto, ocorreu em meio a uma disputa eleitoral na qual assuntos relacionados à família e a pessoas próximas ao presidente passaram a integrar o debate político.
Apesar das perguntas feitas pelos jornalistas, Lula não apresentou novas respostas sobre Lulinha ou Marcola na saída da cerimônia. O presidente deixou o Quartel-General do Exército após falar sobre defesa nacional e a participação feminina nas Forças Armadas, mantendo sem resposta os questionamentos específicos sobre o impacto das investigações em sua campanha.