
Lula enfrenta mais um round com o Congresso e promete barrar aumento de deputados federais
Em plena crise fiscal, o presidente dá um “chega pra lá” no Congresso e sinaliza que governo não vai engolir qualquer aumento de gasto — mesmo sabendo que o veto pode ser derrubado.
Brasília — Luiz Inácio Lula da Silva está prestes a abrir mais uma frente de batalha com o Congresso. O motivo? O presidente deve vetar a proposta que aumenta o número de deputados federais de 513 para 531, uma ideia aprovada pela própria Casa. Lula considera um absurdo aprovar mais despesas em um momento em que o Brasil está com as contas no limite.
“Lamento profundamente”, foi o recado que ele já deixou claro — e não é só frase feita. Para o presidente, é hora de mostrar que o governo não vai aceitar passivamente tudo o que o Congresso manda, ainda mais quando se trata de mexer no bolso do contribuinte. Sob orientação do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, o Planalto quer deixar nítido que não é refém do Legislativo.
Essa decisão vem em meio a um cenário tenso entre os poderes, com disputa também pelo aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), derrubado pelo Congresso, e que agora está na mão do Supremo Tribunal Federal para decidir.
Lula sabe que o veto provavelmente não resistirá no Congresso — a maioria tende a derrubá-lo — mas, mesmo assim, quer dar o sinal de que o governo está atento e pronto para reagir. E mais: pesquisas recentes indicam que sua popularidade está em leve alta, animando o Planalto para manter essa postura firme.
O impacto financeiro da ampliação não é pequeno: são mais de R$ 140 milhões por ano para os cofres públicos, considerando também o efeito cascata que pode gerar até 30 novos deputados estaduais, um custo extra que soma mais de R$ 70 milhões para os Estados.
O prazo para o Congresso definir uma nova distribuição das cadeiras com base no Censo 2022 já venceu, mas a mudança para aumentar o número de deputados não era obrigatória — o que deixa ainda mais questionável a medida.
Um detalhe curioso: um dos maiores beneficiados com a alteração será a Paraíba, estado natal do presidente da Câmara, Hugo Motta, o que adiciona um tempero político à briga.
No início do mês, Lula até considerou a hipótese de não tomar posição — deixar o prazo vencer para que o projeto fosse sancionado sem sua assinatura, o que deixaria a responsabilidade para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sem o carimbo do governo. Mas, no fim das contas, preferiu mostrar firmeza.
A mensagem é clara: em tempos de crise, não tem espaço para aumentar despesas desnecessárias — e, se for para gastar mais, que o Congresso arque com o custo político.