
Lula dobra aposta no STF e insiste em Jorge Messias após derrota histórica no Senado
Presidente diz ter ficado “triste” com rejeição do AGU e acusa articulação política nos bastidores do Congresso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu transformar a derrota de Jorge Messias no Senado em uma demonstração pública de força política. Após ver o nome do advogado-geral da União ser rejeitado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, o chefe do Planalto afirmou que insistirá na indicação e reenviará o nome de Messias para nova análise dos senadores.
A declaração foi feita nesta sexta-feira (30), durante agenda oficial em Sergipe, e deixou claro que Lula não pretende recuar diante da derrota considerada histórica pelo governo. A rejeição de um indicado ao STF não acontecia há mais de um século e provocou forte desgaste político dentro do Palácio do Planalto.
“Fiquei triste”, admitiu o presidente, ao comentar a derrota de Jorge Messias por 42 votos contra 34 no plenário do Senado.
Lula sai em defesa de Messias e endurece discurso
Em um discurso marcado por indignação e tom desafiador, Lula afirmou que Jorge Messias não foi derrotado por incapacidade técnica, mas sim por interesses políticos e disputas de bastidores dentro do Congresso Nacional.
Segundo o presidente, o AGU possui reputação ilibada e trajetória jurídica sólida, características que, na avaliação do Planalto, justificariam plenamente sua presença na Suprema Corte.
“Ele não perdeu por incompetência jurídica. Jorge Messias é um dos melhores advogados deste país. Não tem ficha suja, não responde a escândalos e é um homem íntegro. Foi derrotado por uma questão puramente política”, declarou Lula.
O presidente também argumentou que a prerrogativa constitucional de indicar ministros do STF pertence ao chefe do Executivo e criticou o que chamou de “derrota por conveniência”.
“O Senado pode rejeitar alguém por falta de preparo jurídico. Mas precisa dizer isso claramente. O que não pode é simplesmente derrotar por derrotar”, afirmou.
Bastidores revelam guerra política no Senado
Nos corredores de Brasília, a rejeição de Jorge Messias foi interpretada como resultado de uma articulação intensa liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Segundo relatos de bastidores, Alcolumbre trabalhou diretamente contra a aprovação do AGU porque defendia outro nome para ocupar a vaga deixada pela aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso: o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Aliados do governo afirmam que o presidente do Senado teria telefonado pessoalmente para parlamentares buscando consolidar votos contrários à indicação de Messias.
A derrota expôs fragilidades na articulação política do Planalto e acendeu alertas sobre a relação entre Lula e setores importantes do Congresso.
STF dividido e influência nos bastidores
Além da disputa política no Senado, integrantes do governo passaram a enxergar outro fator decisivo para a derrota: as movimentações internas dentro do próprio Supremo Tribunal Federal.
Nos bastidores da Corte, havia receio de que Jorge Messias alterasse o equilíbrio de forças entre grupos de ministros. A proximidade do AGU com André Mendonça e Nunes Marques era vista como um possível fortalecimento de um bloco mais conservador dentro do STF.
Segundo interlocutores, ministros influentes teriam atuado discretamente contra a indicação para evitar mudanças na dinâmica interna do tribunal.
A relação de proximidade entre Messias e André Mendonça, inclusive no campo religioso — ambos são evangélicos —, passou a ser vista como um elemento político relevante dentro das articulações.
Lula quer transformar derrota em demonstração de autoridade
Mesmo após o revés, Lula decidiu não recuar. Fontes do Planalto afirmam que o presidente considera a rejeição uma afronta à autoridade presidencial e quer usar a recondução de Jorge Messias como demonstração de resistência política.
Antes do anúncio público, Lula teria se reunido com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, e com o senador Weverton Rocha, relator da indicação de Messias. O encontro também contou com a presença do próprio AGU.
Segundo aliados, Jorge Messias afirmou ao presidente que está disposto a enfrentar novamente a sabatina e correr o risco de uma nova votação.
Reenvio da indicação ainda não tem data definida
Apesar da decisão política já tomada, o governo ainda avalia o melhor momento para reenviar oficialmente a indicação ao Senado.
Uma ala do Planalto defendia esperar o fim do calendário eleitoral para evitar contaminação política ainda maior sobre a votação. Outra corrente avalia que adiar demais pode transmitir sinal de fraqueza.
Enquanto isso, Lula tenta reorganizar sua base no Congresso e evitar que a derrota de Messias se transforme em símbolo de desgaste permanente entre Executivo, Senado e Supremo.
O episódio já é tratado nos bastidores como uma das maiores crises institucionais enfrentadas pelo governo em 2026 e pode redefinir o equilíbrio de forças em Brasília nos próximos meses.