
Lula envia Messias ao Senado para vaga no STF após quatro meses de espera
Indicação do titular da AGU enfrenta resistência política, mas governo aposta na aprovação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta terça-feira (31) que enviará ao Senado Federal a indicação de Jorge Messias, atual titular da Advocacia-Geral da União (AGU), para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). A formalização ocorre mais de quatro meses após o anúncio inicial feito em novembro do ano passado, mostrando o cuidado do governo diante de resistências políticas no Congresso.
O anúncio foi feito durante a reunião ministerial no Palácio do Planalto, com a presença do próprio Messias, que acompanha de perto cada etapa do processo.
Resistências e embates políticos
O atraso na formalização do nome de Messias foi motivado, em grande parte, pela resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que preferia ver o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) na vaga deixada por Luís Roberto Barroso em outubro do ano passado.
Nos bastidores, aliados alertaram Lula sobre a necessidade de acelerar o envio da indicação. Em especial, o MDB orientou que a formalização fosse feita rapidamente, diante do clima político cada vez mais tenso provocado pela possível delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que pode envolver figuras políticas influentes.
Além disso, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), e o líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA), se reuniram com Lula para avaliar o cenário e articular os votos necessários para a aprovação de Messias.
Caminho para aprovação
A expectativa do governo é que, com a indicação formalizada, o ambiente no Senado esteja mais favorável para a sabatina na CCJ e posterior votação em plenário. Ainda assim, aliados de Lula reforçam a necessidade de cautela para garantir que não haja surpresas durante o processo.
A escolha de Messias reforça a estratégia do governo de manter aliados de confiança em cargos estratégicos do Judiciário, ao mesmo tempo em que demonstra habilidade política em contornar resistências e pressões dentro do Congresso.