
Lula faz escala relâmpago na Colômbia antes da abertura da COP30 em Belém
Em meio à pausa diplomática e tensões no Caribe, o presidente leva apoio à Venezuela e retorna ao Brasil no mesmo dia para abrir a conferência climática.
Às vésperas da abertura oficial da COP30, Luiz Inácio Lula da Silva fez uma parada estratégica na Colômbia para participar da Cúpula Celac-União Europeia. O encontro, que reúne países latino-americanos, caribenhos e europeus, acontece em um cenário de tensão crescente na região — especialmente após os Estados Unidos intensificarem ações militares no Caribe.
De acordo com o chanceler Mauro Vieira, a presença de Lula tem um propósito claro: reforçar o apoio do Brasil à Venezuela e defender a soberania dos países latino-americanos.
Apesar da viagem, o presidente deve retornar ainda neste domingo para Belém (PA), onde será o anfitrião da abertura da COP30 nesta segunda-feira (10).
A cúpula, porém, ocorre em ritmo morno. Poucos líderes confirmaram presença — entre eles, Lula, António Costa (Conselho Europeu) e Pedro Sánchez (Espanha). Nomes de peso, como Emmanuel Macron, Ursula von der Leyen e Friedrich Merz, optaram por não comparecer, alegando perda de representatividade política do encontro.
Nos bastidores, diplomatas apontam outro motivo para o esvaziamento: o desconforto europeu com as disputas na América Latina e a falta de consenso sobre a postura em relação aos Estados Unidos. Além disso, a posse do novo presidente da Bolívia, Rodrigo Paz Pereira, marcada para o mesmo fim de semana, desviou parte das atenções.
A ida de Lula foi confirmada de última hora — ele chegou a ter agenda prevista em Fernando de Noronha — e deixou para o vice-presidente Geraldo Alckmin a missão de representar o Brasil na cerimônia boliviana.
Entre compromissos, tensões regionais e ajustes de agenda, Lula tenta equilibrar dois palcos distintos: o da política internacional e o da vitrine ambiental da COP30, onde o mundo espera ouvir as promessas verdes do Brasil.