
Lula muda planos e viaja à Colômbia para defender a Venezuela após ofensiva militar dos EUA no Caribe
Presidente busca apoio da América Latina em gesto de “solidariedade regional” e deve cobrar respeito à paz e à soberania dos países sul-americanos durante cúpula da Celac com a União Europeia.
Em meio à tensão provocada pelas recentes ações militares dos Estados Unidos no Caribe, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu alterar sua agenda e viajar à Colômbia nesta sexta-feira (7) para participar da cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) com a União Europeia. O objetivo é expressar solidariedade à Venezuela e articular uma resposta conjunta da região diante da escalada norte-americana.
Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, Lula quer reforçar a ideia de que a América do Sul é uma “zona de paz e cooperação”, e que intervenções militares externas não contribuem para a estabilidade regional. “É um gesto de solidariedade regional, reafirmando que a América Latina deve resolver seus próprios problemas sem interferências externas”, explicou o chanceler.
Lula está em Belém, onde participa da COP30 e mantém reuniões com líderes internacionais. Nesta quarta-feira, o presidente recebeu representantes da Finlândia, do Congo e de Comores, e se reunirá ainda com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.
A decisão de Lula ocorre em meio à preocupação crescente com o aumento da presença militar dos EUA no Caribe. Washington enviou navios e caças à região, alegando combater o tráfico de drogas — mas especialistas afirmam que as ações configuram execuções extrajudiciais e podem ter motivações políticas.
Reportagem do New York Times revelou que o governo de Donald Trump avalia possíveis ataques a unidades militares que protegem Nicolás Maduro e até medidas para tomar o controle de campos de petróleo venezuelanos. Embora Trump ainda não tenha decidido se seguirá com as operações, parte de seus assessores defende abertamente a derrubada do presidente venezuelano.
Enquanto isso, Lula tenta usar o diálogo e a diplomacia como escudo — apostando que uma resposta unificada da América Latina pode conter a escalada de tensão e reafirmar o princípio de soberania que há décadas define o discurso regional.