Silêncio seletivo: quando a arte vira espetáculo e a vida real não importa

Silêncio seletivo: quando a arte vira espetáculo e a vida real não importa

Enquanto artistas se mobilizam contra a PEC da Blindagem, tragédias reais na Bahia passam despercebidas

Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque uniram forças para um grande ato musical contra a PEC da Blindagem, que protege parlamentares de crimes graves. Os shows ocorrerão no Rio de Janeiro e em outras cidades no domingo, com direito a posts chamativos e convites para que a população vá às ruas. Um verdadeiro espetáculo de engajamento social.

No entanto, enquanto esses “gigantes da consciência cívica” se organizam e se exibem contra uma proposta legislativa, três professoras foram assassinadas na Bahia, e o mesmo ativismo midiático que hoje se mobiliza contra deputados aparentemente não encontrou tempo ou vontade de se manifestar. Nenhuma postagem, nenhuma nota de repúdio, nenhum ato de solidariedade. Apenas silêncio.

A ironia do momento é flagrante: a indignação seletiva parece medir a importância das causas pelo potencial de likes e repercussão, e não pelo impacto real sobre vidas humanas. Enquanto isso, familiares e colegas das vítimas seguem lidando com a dor sem qualquer reconhecimento público. O ativismo performático segue em alta, mas a vida, a morte e o sofrimento real não merecem palanque nem hashtags.

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