
Lula pressiona Haddad por proposta de Tarifa Zero para usar como bandeira eleitoral em 2026
Presidente quer apresentar o passe livre como promessa de campanha, embora governo ainda não saiba como financiar a ideia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu acelerar a articulação em torno da Tarifa Zero nos ônibus urbanos e pediu ao Ministério da Fazenda que finalize o quanto antes os cálculos necessários. A intenção é transformar o programa em vitrine da campanha à reeleição em 2026, mesmo sabendo que não há prazo legal para implantá-lo no ano que vem. Hoje, 138 cidades brasileiras já adotam algum tipo de passe livre.
Apesar dos entraves, Lula quer anunciar a proposta como compromisso oficial de governo. A medida deve dividir espaço com outras promessas já abraçadas pelo Planalto, como a isenção de Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil — aprovada pelo Congresso — e o fim da escala de trabalho de 6 por 1.
Nesta segunda-feira, 8, o ministro das Cidades, Jader Filho, afirmou que o modelo atual, no qual o passageiro arca sozinho com o custo total da tarifa, “não se sustenta mais”. Ele reforçou que a solução dependerá de um acordo envolvendo União, Estados e municípios. “Cada um precisa assumir sua parte. É um pacto necessário para o País”, destacou.
Jader, que deixa o ministério em abril de 2026 para disputar uma vaga na Câmara, disse que a Fazenda já trabalha em estudos para avaliar o que pode ser colocado de pé. Para ele, adiar essa discussão seria fechar os olhos para um problema urgente do transporte público brasileiro.
O plano de tarifa zero é uma das principais apostas de Lula dentro do PT para a campanha de 2026. O tema foi discutido na reunião do Diretório Nacional do partido neste sábado, 6, quando começaram a ser definidos os eixos principais do programa de governo.
Fernando Haddad afirmou recentemente que há diversas propostas em análise, mas deixou claro que o plano só avançará se houver compensações financeiras suficientes. “A tarifa gratuita só se viabiliza se for fiscalmente neutra. Caso contrário, não tem como fazer”, disse o ministro. Segundo ele, o governo não dispõe de recursos para bancar o projeto no momento.
A dúvida principal é justamente o custo. Como financiar um sistema de transporte de qualidade sem uma fonte permanente de recursos? Prefeitos de grandes cidades — como Ricardo Nunes, de São Paulo — já foram sondados sobre possíveis parcerias, mas nenhum cálculo oficial foi apresentado. Apenas em São Paulo, estima-se que a União teria de cobrir cerca de R$ 3 bilhões.
A proposta em debate prevê que o governo federal pague a parte referente ao passageiro. Empresas depositariam em um fundo o valor que gastam com vale-transporte, e os municípios manteriam suas contribuições. Mas esse desenho ainda não passou da fase preliminar.
Na Câmara, o deputado Jilmar Tatto apresentou um projeto que institui a tarifa zero nacional. Ex-secretário de Transportes de São Paulo, Tatto afirmou que o ideal é aplicar o sistema de forma gradual, de acordo com o orçamento.
Um estudo da Universidade de Brasília estimou que zerar a tarifa de ônibus custaria cerca de R$ 80 bilhões por ano e beneficiaria aproximadamente 160 milhões de pessoas. Ele deve entregar os dados diretamente ao presidente.
Tatto diz acreditar que, em ano eleitoral, dificilmente algum parlamentar votaria contra a proposta. “Ninguém se posiciona contra, nem Centrão, nem direita”, argumentou.