
Lula rebate Trump e defende julgamento de Bolsonaro
Presidente afirma que processo contra ex-presidente seguiu a Constituição e não foi “caça às bruxas”
Neste domingo (14), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu às críticas do ex-presidente americano Donald Trump, que classificou como “caça às bruxas” a condenação de Jair Bolsonaro, ocorrida na quinta-feira, por tentativa de golpe.
Em artigo publicado no The New York Times, Lula enfatizou que o julgamento foi conduzido rigorosamente dentro da Constituição de 1988, e que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) foi histórica e necessária. “Não se tratou de perseguição política, mas de um processo transparente e fundamentado”, afirmou o presidente.
A publicação de Lula surge em meio a uma tensão diplomática com os EUA, que aplicaram tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e impuseram sanções a integrantes do STF. Mesmo assim, o presidente destacou: “Estamos abertos ao diálogo e à negociação de medidas que beneficiem ambos os países. Mas democracia e soberania do Brasil não estão à venda”.
O texto também detalha os planos de golpe e assassinato descobertos durante as investigações: Bolsonaro teria liderado uma organização para impedir a posse de Lula e, segundo o STF, planejava ataques contra autoridades e ministros da Corte. O plano não foi executado devido à falta de apoio das lideranças militares.
Trump, em resposta à condenação de Bolsonaro, comparou a situação aos seus próprios problemas legais após a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Já o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que Washington “responderá” à sentença, classificando-a de injusta.
Enquanto isso, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar preventiva em Brasília e sua defesa anunciou que recorrerá da decisão, inclusive em instâncias internacionais.